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A Salinidade nos aquários

Hoje iremos falar de um dos principais testes do aquário marinho e um teste quase que desnecessário para aquários de água doce, o teste de salinidade.

A salinidade nada mais é do que a quantidade de íons dissolvidos na água e geralmente é dado por uma medida chamada permilagem que tem como símbolo ‰ que significa gramas por quilo de água (ppt em inglês). Os íons que mais influenciam a salinidade são os cloretos, sulfatos, bicarbonatos, Potássio, Sódio e Cálcio.


Nos oceanos a salinidade média é de 33‰ a 37 ‰ e a densidade varia com a pressão e temperatura. A água doce pode ter salinidade de até 0,5‰ e a água salobra entre 0,5‰ e 30 ‰. Nos aquários de água salgada a salinidade média é de 35‰ e nos de água doce variam de acordo com a fauna.


Muitos aquaristas utilizam um densímetro para medir a salinidade da água indiretamente e com excelentes resultados. Como o próprio nome já supõe, o densímetro mede a densidade da água que é a relação da salinidade com a temperatura. Para efeitos de explicação, mantendo a salinidade constante, a densidade vai diminuir com o aumento da temperatura e aumentar com a baixa temperatura. Então, se houver um controle de temperatura da água do aquário é possível medir com bastante precisão a salinidade com o uso de um densímetro. A medida da densidade é dado por kg/m³( quilos por 1000 litros de água) ou, mais comumente em aquários, g/cm³(gramas por ml). Para quem dizer que a densidade não é uma medida precisa, a medição da salinidade pela condutividade também está sujeita à mesma interferência de pressão e temperatura. Assim sendo, um aquário com água a 27°C e 33‰ de salinidade tem densidade de 1021 kg/m³ e um aquário com água a 24°C e 37‰ tem densidade de 1024 kg/m³.


A salinidade afeta diretamente a osmorregulação dos animais, por isso deve ser monitorada constantemente. Mesmo no mar, existem peixes de estuários com baixa salinidade que não vivem bem em água com salinidade da Grande Barreira de Corais da Austrália. Algumas espécies de cavalos marinhos, como o hippocampus reidi, são animais de estuário e não vivem bem em águas oceânicas. O tubarão cabeça chata, por exemplo, se adapta bem tanto em águas oceânicas até em água doce. Assim, é muito importante escolher adequadamente a fauna de acordo com a salinidade. Esse é um dos fatores de nem todos os peixes e corais se adaptarem a todos os aquários.

Nos aquários de água doce, os peixes amazônicos em boa quantidade não toleram sequer uma baixa salinidade (principalmente discos e alguns tetras) em compensação as carpas e kinguios toleram uma salinidade de até 6‰ por um longo período de tempo. As plantas também são afetadas pela salinidade da água.


O skimmer, principal equipamento de filtragem da maioria dos aquários marinhos, depende da salinidade para funcionar. Caso a salinidade esteja baixa, o skimmer não irá formar a espuma e retirar a sujeira.


A salinidade correta também é um fator muito importante para evitar a evaporação em excesso da água. Quanto maior a salinidade, menor a taxa de evaporação. Mantendo a salinidade correta você evita um custo extra da reposição de água deionizada.


É muito importante lembrar que a salinidade é uma medida de massa apenas, porém o equilíbrio iônico para uma boa condição de vida aos animais depende de uma mistura nas proporções corretas dos diversos íons na água. Assim, é muito importante que na salinidade, o Cálcio, o Magnésio e a reserva alcalina estejam no equilíbrio certo. Se fosse preciso apenas manter a densidade em 1025kg/m³ era só dissolver sal de cozinha na água do aquário e tudo estaria certo, mas isso não existe. O equilíbrio iônico depende dos compostos certos na medida certa.


O jeito mais barato de medir a salinidade é com um densímetro já que muda muito pouco a densidade com uma pequena flutuação de temperatura. Os densímetros de vidro custam em média 20 reais e, mesmos os chineses, costumam ser bastante precisos. Os refratômetros funcionam muito bem, mas são muitas vezes mais caros que o densímetro.

Quando se usa um refratômetro ou um densímetro é necessário tomar cuidados para que os equipamentos continuem fazendo suas leituras corretamente. Em ambos os casos é necessário limpar os equipamentos com água deionizada para evitar a cristalização de sais e assim que leitura saia incorreta. É preciso ficar atento também com alguns refratômetros que são calibrados com a composição certa de sais dissolvidas na água do aquário (Cálcio por volta de 430ppm, Magnésio por volta de 1300ppm, reserva alcalina por volta de 9).


Terminamos assim mais um teste de extrema importância nos aquários de água salgada e que quase nunca tem necessidade de ser feito em aquários de água doce. 


Abaixo um pequeno apanhado da tolerância de alguns peixes à salinidade:


Kinguio( carassiau auratus): Os kinguios são peixes que toleram uma grande salinidade de água podendo sobreviver bastante tempo em águas com salinidades menores que 5ppt. Em águas com salinidade entre 5ppt e 15 ppt pode chegar a sobreviver até 72 horas. Em salinidade entre 15 ppt e 20 ppt a morte acontece num período de 8 horas.


Carpa comum( cyprinus carpio): As carpas também são peixes muito tolerantes à salinidade sobrevivendo bem em água com até 6ppt de salinidade. Com 12ppt de salinidade as carpas morrem em até 4 dias.


Peixes Amazônicos num geral: Discos, neons, algumas espécies de cascudos, ciclídeos e alguma arraias não toleram salinidade, mesmo em baixos valores. A salinidade média no Rio Amazonas tem uma média de 0,52ppt e o Rio Negro 0,22ppt. As arrais toleram salinidade máxima de 3ppt.


Poecilias: As poecilias num geral toleram uma grande salinidade que, em algumas espécies, é superior à da água do mar. Mesmo tolerando uma grande salinidade, elas não suportam uma variação brusca desse fator.


Ciclídeos africanos do Lago Tanganyika: Embora seja uma água muito dura, a salinidade do Lago Tanganyika tem uma média de 0,6ppt.


Fontes:

Mangat, H.K., Hundal, S.S., 2014. Salinity tolerance of laboratory reared fingerlings of common carp, Cyprinus carpio (Linn.) during different seasons. Int. J. Adv. Res. 2 (11), 491–496.

Meffe, G. K., and Snelson, F. F., Jr. 1989a. An ecological overview of poeciliid fi shes. In G. K. Meffe and F. F. Snelson, Jr. (eds.), Ecology and Evolution of Livebearing Fishes (Poeciliidae), 13–31. Englewood Cliffs, NJ: Prentice Hall

Salisbury J, Vandemark D, Campbell J, Hunt C, Wisser D, Reul N, Chapron B (2011) Spatial and temporal coherence between Amazon river discharge, salinity, and light absorption by colored organic carbon in western tropical atlantic surface waters. J Geophys Res 116(C7).

Schofield, P.J., M.E. Brown & P. F. Fuller.  2006. Salinity tolerance of goldfish, Carassius auratus, a non-native fish in the United States. Florida Scientist 69(4): 258-268.

Verburg, P., R.E. Hecky, and H. Kling. 2003. Ecological consequences of a century of warming in Lake Tanganyika. Science 301:505–507

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