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Probióticos no aquarismo - realidade, promessa ou mais um produto furado do mercado?

O mercado, não só o mercado do aquarismo, mas qualquer mercado de qualquer produto onde não se tem uma "metrologia" é sempre inundado de produtos milagrosos que visam resolver todos os problemas de uma maneira simples.


Temos vários casos conhecidos de produtos que prometem o céu como água alcalina, água hidrogenada, sistema de hidrogênio pra carro a gasolina, chás que emagrecem 20 kg em 3 semanas, suplementos alimentares que curam doenças e por aí vai. Alguns desses produtos são tão perigosos que as órgãos fiscalizadores como a ANVISA proíbem a circulação do mercado, mas mesmo assim ainda acabam sendo vendido por muito tempo.



Como o aquarismo não tem órgãos fiscalizadores ou regulamentadores oficiais de seus produtos, qualquer coisa pode ser vendida como qualquer coisa. Como os aquaristas não tem a cultura da metrologia, muitas vezes caímos no efeito placebo já que não temos ou sabemos como comparar as coisas.


Definições de termos relacionados a probióticos e aquarismo


Antes de começar a escrever mesmo sobre a questão dos probióticos, vamos definir alguns termos que vão ser fundamentais para compreensão do que será discutido aqui.


  1. Probiótico: Probióticos são microrganismos vivos que, quando consumidos em quantidades adequadas, trazem benefícios para a saúde do hospedeiro (FAO, 2001). Nos peixes, os probióticos são estudados devido a poderem ajudar a restaurar o equilíbrio natural da flora intestinal, melhorar a digestão, aumentar a imunidade e até mesmo reduzir os efeitos de algumas doenças gastrointestinais.

  2. Prebiótico: Prebióticos são substâncias alimentares, geralmente fibras, que o corpo humano não consegue digerir. Eles servem como alimento para as bactérias benéficas no intestino. Ao consumir prebióticos, você promove o crescimento e a atividade dessas bactérias "boas", que são importantes para uma boa saúde digestiva.

  3. Metrologia: Metrologia é a ciência e a prática de medição. Ela garante a precisão e a consistência nas medições em diferentes campos, como ciência, engenharia, comércio e indústria. A metrologia é fundamental para manter padrões universais (como metros para comprimento, quilogramas para massa, segundos para tempo), permitindo que medições feitas em diferentes lugares ou momentos sejam confiáveis e comparáveis. Aqui no contexto dos probióticos remos focar na metrologia como comparação entre taxas de mortalidade, aumento de peso, aumento de tamanho, taxa de incidência de doenças e por aí vai.

  4. Efeito Placebo: O efeito placebo ocorre quando um paciente experimenta um benefício real após o tratamento com uma intervenção inerte, como uma pílula de açúcar ou uma injeção de solução salina, acreditando que está recebendo um tratamento ativo. Esse efeito é poderoso e demonstra como a mente pode influenciar o corpo. Ele é um conceito central em ensaios clínicos, onde os pesquisadores usam placebos como controle para testar a eficácia de novos medicamentos ou tratamentos. No aquarismo o efeito placebo se resume em achar que algo funcionou sendo que esse algo não funciona.

  5. Agente de Controle Biológico: São organismos ou microrganismos utilizados para controlar pragas, doenças ou poluentes de forma natural. No contexto do tratamento de água de aquário, agentes de controle biológico incluem certas bactérias, fungos ou algas que podem decompor ou neutralizar contaminantes e substâncias nocivas na água, melhorando assim sua qualidade.

A teoria dos probióticos


O conceito de probióticos não é novidade há muitas décadas. O primeiro registro de probióticos que encontramos data de 1913, 111 anos atrás, onde Woodruff desenvolveu esse conceito a partir de uma espécie de ciliados que podiam produzir alguma substância no meio de cultura que poderiam influenciar o crescimento de outras espécies.


De Woodruff até hoje uma incontável de pesquisas sobre probióticos surgiram em vários nichos diferentes como agricultura, animais de todos os tipos, saúde humana, produção de microorganismos, etc. Como o que nos interessa aqui são os peixes e são o que tem de compilado, vamos à isso.


Mecanismos de ações dos probióticos


Falar que os probióticos ajudam o organismo é fácil, mas como isso acontece? Quais são as formas de atuação desses microorganismos? Como que ele vai ajudar o peixe?


Para jogar um pouco de luz nesses perguntas, segue uma lista dos principais mecanismos de ação dos probióticos:


  1. Secreção de Compostos Antagonistas: Probióticos podem produzir e secretar substâncias que inibem ou matam patógenos, como antibióticos naturais ou bacteriocinas, ajudando a controlar infecções bacterianas.

  2. Efeitos no Quorum Sensing: O quorum sensing é um sistema de comunicação entre bactérias. Probióticos podem interferir nesse sistema, impedindo que as bactérias patogênicas se comuniquem eficientemente e formem biofilmes ou se tornem virulentas.

  3. Inibição de Adesão e Colonização por Bactérias Patogênicas: Probióticos competem com patógenos pelos locais de adesão no trato gastrointestinal dos peixes, prevenindo assim a colonização e infecção por esses patógenos.

  4. Modulação da Microbiota Intestinal e Respostas Imunes: Probióticos influenciam a composição da microbiota intestinal dos peixes, promovendo um equilíbrio saudável de microrganismos. Isso pode melhorar a digestão e fortalecer o sistema imunológico dos peixes.

  5. Efeitos Antivirais: Alguns probióticos demonstram a capacidade de combater vírus, seja diretamente inibindo os vírus ou fortalecendo o sistema imunológico dos peixes para que eles possam resistir melhor às infecções virais.

  6. Melhoria da Qualidade da Água e Modulação da Microbiota Aquática: Probióticos (aqui funcionando como agente de controle biológico) podem ajudar a manter a qualidade da água, decompondo matéria orgânica e reduzindo a concentração de compostos nocivos. Também podem influenciar positivamente a microbiota presente na água, contribuindo para um ambiente aquático mais saudável e equilibrado. Tem um probiótico relativamente famoso no aquarismo que foi cair na CPI da Lagoa da Pampulha.


Principais grupos de bactérias com efeitos probiótico na aquicultura


A literatura aponta majoritariamente os seguintes grupos de bactérias com efeitos probióticos, sendo elas divididas entra bactérias gram-positivas e gram negativas;


Bactérias Gram-Positivas


  1. Bactérias Ácido Láticas: Fazem parte da flora intestinal normal dos peixes e são conhecidas por produzir ácido láctico. Estão nesse mesmo grupo de muitas bactérias que fazem queijos e iogurtes. Elas podem melhorar a saúde intestinal e a imunidade dos peixes. São capazes de contribuir com a proteção contra patógenos específicos e na modulação da resposta ao estresse.

  2. Bacillaceae: Onde estão presentes as bactérias do Gênero Bacillus e são conhecidas por formar esporos, o que confere resistência e estabilidade. São usadas como potenciais redutores da densidade de bactérias oportunistas. Demonstraram potencial de aumentar a sobrevivência das larvas em ambientes desafiadores, dominando a flora intestinal e melhorando a resposta imune.

  3. Streptococcaceae: Inclui espécies como Streptococcus, que são comumente encontradas no trato gastrointestinal. Podem proteger contra infecções específicas em larvas de camarão, possivelmente através da produção de bacteriocinas e outras substâncias antibacterianas.


Bactérias Gram-Negativas


  1. (Vibrionaceae): Incluem gêneros como Vibrio, que são patógenos bem conhecidos em ambientes aquáticos. A maioria das Vibrio são patógenas, porém algumas cepas, como V. pelagius, foram usadas para melhorar a sobrevivência das larvas, possivelmente atuando mais como aditivos alimentares do que como probióticos tradicionais.

  2. Pseudomonadaceae e Aeromonadaceae: Gêneros como Pseudomonas e Aeromonas são conhecidos por sua versatilidade metabólica e capacidade de produzir substâncias antimicrobianas. São também conhecidas por causarem doenças em peixes e por isso são usados principalmente em mariscos. Demonstraram proteger larvas de moluscos e ostras contra patógenos, possivelmente através de mecanismos como a produção de bacteriocinas.

Além dos grupos citados, existem vários grupos com potenciais efeitos probióticos, muitos deles de difícil identificação.


A que pé estão os estudos de probióticos para os peixes? (Essa é uma pergunta retórica, aliás)


O começo uso dos probióticos para peixes é incerto, mas alguns produtos surgiram no mercado no começo dos anos 2000, sendo que estudos acadêmicos existem desde a década de 80.


Antes de continuarmos, vamos fazer um adendo aqui para lembrar da diferença entre os probióticos e agentes de controle biológico. Essa confusão é comum tanto no aquarismo quanto até mesmo na literatura acadêmica. Quem chama atenção a isso são os pesquisadores Austin & Brunt no seu material "The Use of Probiotics in Aquaculture". Probióticos e agentes de controle biológicos tem funções parecidas, mas são coisas diferentes.


Incontáveis artigos de infinitos níveis de qualidade foram e estão sendo feitos sobre o assunto, muitos apontam melhorias, outros os benefícios estão dentro da margem de erro e poucos apresentam resultados ruins. Dificilmente alguém publica ou continua uma pesquisa que apresenta resultados negativos. Embora as pesquisas com resultados ruins sejam extremamente importantes devido a mostrar os limites e até mesmo falhas metodológicas, elas são minoria, muito devido ao estigma de um pesquisador não apresentar resultados promissores ou dos editores não acharem relevante.


Falando em resultados ruins e editoração, é importante falar um pouquinho sobre academia e artigos científicos, principalmente sobre o lado obscuro disso.


Quando eu comecei minha vida acadêmica em 2009 eu achava que um artigo era a resposta para tudo. Claro, eu tinha lido um artigo do assunto, era a única base de medida que eu tinha (a metrologia entra exatamente nesse ponto, é a capacidade de medir e comparar). Eu pegava os resultados apresentados no artigo e pensava: "É isso, é assim que funciona!". Ah, lembrança a inocência juvenil me faz dar boas risadas.


Os anos foram passando e hoje no doutorado quando vejo um artigo eu nem me importo com os resultados, a única coisa que importa é a metodologia. Uma metodologia clara é fundamental para a análise do valor do artigo, principalmente sua repetibilidade.


No aquarismo isso ficou muito claro pra nós quando fomos estudar os acelerador de biologia lá em 2016 e fizemos um texto que vira e mexe entra nas rodas de discussão. O mais interessante dos aceleradores de biologia é que eles podem funcionar, o conceito é correto, existe viabilidade técnica, existe repetibilidade para acelerar com segurança até 30% do tempo do que sem acelerador, problema são os produtos de aquário. Os trabalhos e empresas que apresentam resultados válidos usam uma metodologia de produção e utilização que envolve culturas frescas e ativas enriquecidas com oxigênio e nutrientes constantemente e mantidas em temperaturas baixas para transporte. Existe controle de qualidade nessas situações. Bom, já os aceleradores de biológica de aquário...


Pra quem não viu, segue o link do nosso texto sobre acelerador de biologia e um vídeo comigo apresentando um artigo bem recente sobre teste de aceleradores de biologia de aquário. Conversei com a Alyssa, autora do artigo sobre aceleradores de biologiam por email algumas vezes e ela me contou que continua os testes e que mesmo em produtos para zoológico não há resultado.




Se um artigo científico não tem uma boa metodologia, se essa metodologia não é replicável, o artigo não é bom, independente de onde tenha sido publicado ou quem assine o artigo.


Ciência do ovo de Schrödinger, o ovo que faz bem e faz mal ao mesmo tempo


Mais polêmico do que saber quem veio primeiro, se foi o ovo ou se foi a galinha, é saber se comer ovo faz bem ou faz mal. O ovo é um dos alimentos mais antigos da sociedade humana e um dos mais pesquisados e até hoje. Pesquisas acontecem a todo momento, mas por qual motivo não se encontram consenso?


Tem uma reportagem muito interessante sobre essa questão do Ovo na Super Interessante que você pode ler aqui. Eu já deixo o trecho que mais nos cabe aqui sobre probióticos e as pesquisas:


Não vou entrar na questão do ovo, mas foi só pra trazer um caso material de como temos que tomar cuidado com artigos científicos, principalmente porque cientistas amam o que fazem ou precisam entregar resultados (reais ou não).


Artigos são apenas indícios, uma agulha de dados num palheiro de dúvidas.

Bom, metodologia é uma coisa, viés é outra, agora a gente precisa tomar cuidado com uma coisa que vem cada vez mais preocupando a academia que são as fraudes em pesquisas científicas. Em julho de 2023 saiu um dos artigos na revista Nature que eu considero dos mais emblemáticos em relação à pesquisa científica: "Medicine is plagued by untrustworthy clinical trials. How many studies are faked or flawed?"


A medicina é talvez o campo profissional mais bem pago e mais valorizado da humanidade. Também, é um dos campos de maior influência social. A pandemia de COVID 19 nos mostrou claramente isso. E quando a boa ciência é falha ou flasificada? Nesse artigo da Nature, eles mostram como foram encontrados em RCT (randomized controlled trial) o padrão de ouro da pesquisa médica, pelo que se suspeita, 44% de ensaios com ao menos um dado falsificado. Pode ser uma estatística impossível, cálculos incorretos, figuras duplicadas. Cerca de 26% dos ensaios foram tidos como impossíveis de se confiar, seja por profissionais incompetentes ou dados falsificados.

O positivo do artigo é como as coisas parecem estar melhorando com as pessoas pedindo junto com os artigos os dados brutos para acompanhamento.


Quem tiver acesso vale a pena ler tudo esse artigo da Nature. Eles contam um caso de um médico brasileiro muito famoso na pesquisa clínica que teve suas pesquisas questionadas por suspeitas de fraude. O que aconteceu com esse médico? Não vou escrever aqui porque posso levar shadowban dos mecanismos de buscas, mas podemos dizer que ele resolveu, por conta própria, ir ficar ao lado de Deus.


Esses dias aconteceu o caso mais icônicos envolvendo inteligência artificial e publicação científica que eu já vi. Ele é tão especial porque saiu em uma boa revista da Frontiers, uma das maiores editoras editoras científicas do mundo.


Bom, uns cientistas resolveram mandar um artigo com as imagens feita por AI para revisão. Acontece que nem os revisores do texto e nem os editores da revista repararam em nada de errado. Segue abaixo apenas uma das imagens que passaram batidas pelo famoso "peer review" e tente não rir. Hoje, 20 de fevereiro, o artigo original que foi retratado depois de ficar famoso, já tem incríveis 318 mil acessos e é o 38° artigo mais visto entre todas as revistas da editora.


Se você é do meio acadêmico e quer ver mais detalhes dessa história, o artigo original e as figuras podem ser lidos nesse link porque a editora já tirou do ar:


E por qual motivo eu escrevi um pequeno texto sobre essas questões relacionadas à academia e publicações? Vocês descobrirão ao longo desse texto.


Voltando aos probióticos e peixes, segue uma longa tabela com a identificação de alguns probióticos. Percebam os vários tipos de probióticos e saibam que isso representa uma pequena parcela somente. Cada variação de uma mesma espécie de microrganismo é um probiótico diferente com resultados e efeitos diferentes.



Efeito placebo dos probióticos


Quem prestou atenção na lista de definições no começo do texto, percebeu que apareceu lá também o conceito de placebo. Alguém suspeita do motivo? Efeito placebo é amplamente levantado na literatura científica como possível aspecto dos probióticos. Segue aqui um trecho da página 199 do livro Aquaculture Microbiology and biotechnology Volume 1:

Não gosto de traduzir texto, mas esse trecho em questão merece destaque, então o google vai traduzir pra gente:

Um efeito placebo? Esta é uma possibilidade interessante e precisa ser considerada seriamente.
Até recentemente, o modo de ação dos probióticos usados na aquicultura não era considerado em detalhes. O tempo de alimentação e o efeito a longo prazo do probiótico também são geralmente ignorados pelos pesquisadores. Uma abordagem puramente descritiva era adotada, na qual o nome, a dose e o patógeno alvo do organismo benéfico eram relatados com exclusão de outras informações importantes. É certamente possível que qualquer probiótico possa levar a múltiplas respostas do hospedeiro. Além disso, diferentes probióticos podem levar a efeitos bastante distintos. Por exemplo, com o Carnobacterium inhibens K, foi reconhecido que o organismo produzia uma atividade antimicrobiana fraca, e as células eram capazes de permanecer no trato digestivo durante os regimes de alimentação (Robertson et al., 2000).

Sem uma metodologia rígida de controle, é muito difícil entender o real efeito dos probióticos.


E essa questão de metodologia, controle e variabilidade são muito presentes ma conclusão do capítulo 9 do livro "Feed and Feeding Practices in Aquaculture". Nesse capítulo em questão intitulado "Use of pre and probiotics in finfish aquaculture" que é assinado por Iwashita, um pesquisador da EMBRAPA e mais dois pesquisadores estrangeiros. Os autores apontam uns questionamentos muito interessantes como:


Eu não iria traduzir, mas acho que se eu traduzir eu ganho um tempo relativamente longo tentando explicar as mesmas coisas, então lá vai:


9.5 Conclusões e direções futuras

Prebióticos, probióticos e sua combinação demonstraram modulação positiva da microflora intestinal e podem promover a saúde dos peixes. O uso desses produtos na aquicultura está ganhando aceitação; contudo, os resultados sobre sua eficiência têm sido conflitantes (Gatesoupe, 2005; Grimoud et al., 2010) e vários fatores têm sido atribuídos a isso. O tipo e a concentração da dose (concentração na dieta e duração da alimentação) desses produtos podem afetar sua eficácia na prevenção de doenças em peixes. Em tilápias, a alimentação de curto prazo (2 semanas) e de longo prazo (2 meses ou mais) foram observadas como eficazes no aumento da resistência a doenças (Welker e Lim, 2011). Além disso, a forma de administração de prebióticos e probióticos pode ter um impacto na eficácia em afetar a saúde dos peixes. A viabilidade dos probiontes durante o processo de fabricação da ração e durante o armazenamento da ração pode ser mantida ou melhorada pela encapsulação em matrizes não nutritivas, como o alginato de cálcio. A encapsulação de Shewanella putrefaciens em alginato de cálcio melhorou a viabilidade da bactéria durante o armazenamento da ração, e sua presença foi encontrada no trato gastrointestinal (GI) do linguado-senegalês (Solea senegalensis) alimentado com S. putrefaciens encapsulado, mas não com o não encapsulado (Rosas-Ledesma et al., 2011). A via de administração também pode afetar o sucesso da aplicação de probióticos. A adição de Lactococcus lactis RQ516 à água de criação mostrou aumentar significativamente a resistência da tilápia-do-Nilo a A. hydrophila (Zhou et al., 2010). Mais pesquisas sobre os efeitos da dependência da dose e da forma e da via de administração dos probiontes na resistência a doenças são necessárias para todas as espécies de peixes, incluindo tilápias, para fornecer regimes eficazes de alimentação e tratamento. A variação entre estudos também pode ser devida a diferenças na escolha do prebionte, cepa do probionte, concentração na dieta, cepa e idade/tamanho dos peixes, manejo da alimentação e duração, dosagem e virulência dos patógenos desafiadores e métodos de desafio. Merrifield et al. (2010) observaram que o sucesso ou potencial dos probióticos em muitos estudos para prevenir doenças pode não refletir condições em surtos naturais devido ao uso do método intraperitoneal (IP) de desafio da doença. O método IP ignora a exclusão competitiva, que é uma das maneiras mais importantes pelas quais os probióticos podem prevenir infecções no trato GI. Os desafios IP também não refletem os efeitos dos probióticos na resistência à infecção, mas sim demonstram os efeitos dos probióticos em peixes infectados (Merrifield et al., 2010). Em estudos nos quais a resistência a doenças é melhorada, os dados sugerem que os probióticos podem estar proporcionando estimulação imunológica fora do trato GI. Este é um ponto importante a ser destacado na pesquisa sobre a aplicação de probióticos para aumentar a imunidade dos peixes, já que a grande maioria dos desafios realizados em estudos de pesquisa são por injeção IP, pois é difícil induzir infecção bacteriana por vias naturais de exposição. Por exemplo, a doença estreptocócica, causada predominantemente por S. iniae, é um dos problemas de doença mais importantes na aquicultura (Shoemaker et al., 2006); no entanto, é difícil reproduzi-la de forma confiável por imersão em banho. Portanto, os pesquisadores tiveram que confiar na injeção IP para produzir infecção confiável e consistente para alcançar a taxa de mortalidade desejada. Outros fatores, como condições ambientais, práticas de manejo e densidades de estoque, também podem afetar os resultados da pesquisa, muito menos observações e eficácia em condições comerciais. Todos esses fatores podem influenciar o sucesso ou o fracasso de prebióticos, probióticos e sua combinação no aumento do crescimento, imunidade e resistência a doenças em peixes.


E isso é só a ponta do iceberg....

Curiosidade: O termo "finfish" é usado no inglês para diferenciar o que seriam peixes de verdade de outros animais que tem o termo "fish" no nome. Em inglês é comum usar o termo "fish" para muitos animais aquáticos que não são peixes como starfish (estrela-do-mar), cuttlefish (sépia), crayfish (lagostim), jellyfish (água-viva) e alguns outros.

Um dos melhores materiais sobre saúde de peixe, prebióticos e probióticos é um livro fantástico chamado "Aquaculture Nutrition - Gut Health, Probiotics and Prebiotics".O link do livro está aqui.


Esse livro é tão fantástico que capítulo ele vai construindo a fundamentação para explicar e introduzir a questão dos probióticos e prebióticos na aquicultura. Como o livro é caro e quase ninguém tem acesso a ele, vou colocar aqui alguns trechos importantes de cada capítulo.


Melhores momentos do Aquaculture Nutrition - Gut Health, Probiotics and Prebiotics



No capítulo 1 os autores abordam os aspectos técnicos do trato gastrointestinal dos peixes, falam da sua anatomia, mostram umas fotos legais de peixes esviscerados, umas micrografias interessantes, mas o mais importante pra mim está nos itens 1.6 e 1.7 onde os autores abordam sobre as secreções digestivas e como isso pode influenciar na microbiota intestinal e no pH do lúmen. A parte de pH do lúmen é marcante porque me disseram que as bactérias dos probióticos são muito sensíveis ao "estresse hídrico", que me afirmaram ser mudanças bruscas de parâmetro de água. Todo mundo que foi pra escola sabe que estresse hídrico é quando você tem mais demanda por água do que água disponível ou quando a planta não tem água suficiente e começa a secar. Enfim, voltando ao pH do Lúmen, no trato intestinal dos peixes esse pHvai de menor que 4 no estômago e chegam a acima de 7, mais frequente acima de 8, no intestino distal. As bactérias que possam ser ingeridas passam de pH bem ácido a pH um tanto alcalino em questões de momentos, sem falar em questões de oxigênio, pressão osmótica e outros fatores muito relevantes. Talvez o fator com variações menos intensas seja a temperatura. A variação de pH dentro do peixe é muito maior que a variação de pH na água, então não faz diferença nenhuma a qualidade da água na sobrevivência do probiótico. O que faz diferença é mesmo a microbiota já existente, as secreções digestivas, a alimentação, o peixe e por aí vai rsrs



No capítulo 2 entra um assunto muito pertinente que é a defesa imunológica dos peixes? Se probióticos podem reduzir doenças, algo tem que ter a ver com sistema imunológico. Eles explicam sobre a imunidade inata, como ela responde rapidamente contra patógenos, aí vai pra imunidade adaptativa e , para mim, o ponto mais relevante dessa parte, que eu desconhecia, é que os peixes foram os primeiros vertebrados a terem um sistema imune adaptativo. Também falam das agora famosas "T cells", ou línfócitos T, que ficaram bastante famosos com a pandemia de covid. Aí falam dos tecidos da pele, dos rins, das guelras e como são importantes. Eles explicam cada coisa sobre a imunidade da mucosa do peixe ( como as guelras e o intestino) que mereceria um artigo só pra ele. Muito interessante como eles separam as camadas de defesa entre as partes da mucosa, não só o muco. Eles finalizam abordando o que da imunidade é requerida nas doenças mais comuns.

A parte mais marcante desse capítulo, pra mim é essa: "Commensals and indeed probiotic organisms that are obtained through fish feeds (or the rearing water) facilitate host defences by competing with pathogens for nutrients, binding sites on the epithelial cell surface, initiating production of defensin and other anti-microbial peptides from the epithelial cells, modulating epithelial cell growth and apoptosis turnover, increasing epithelial barrier strength by modulating tight junction proteins, and advancing epithelial cell mucus production and modulation of underlying innate and adaptive immune components present in the lamina propria (reviewed in Merrifield et al. 2010) (also refer to later chapters in this book)"



No capítulo 3 começam a falar das doenças gastrointestinais dos animais aquáticos. Eles falam de uma série de espécies de bactérias. É mais um capítulo de consulta do que leitura mesmo.


No capítulo 4 as coisas começam a avançar mais e é feita uma longa abordagem sobre a microbiota intestinal dos peixes. São feitas comparações dos principais grupos de bactérias presentes em peixes marinhos e de água doce, principalmente os peixes de aquicultura. Eles abordam a importância da microbiota e talvez a parte mais legal é quando eles falam que a microbiota gastrointestinal pode regular a expressão de 212 genes em zebrafish, sendo alguns relacionados ao metabolismo de nutrientes e o sistema imune inato. Isso diz que, no caso do zebrafish - vulgo paulistinha, a microbiota pode afetar as futuras gerações inteiras. Esse assunto é tão relevante que estão sendo feitas várias pesquisas em humanos sobre microbiota intestinal e autismo.

Voltando aos peixes, um ponto muito interessante é quando comentam sobre a questão das bactérias presentes na superfície do ovo do peixe podem influenciar na microbiota da larva ao nascer. Em outras estrapolações, a microbiota do peixe está definida antes dele nascer, e isso é muito curioso porque nas fases iniciais muitas "decisões metabólicas" são feitas para toda a vida do peixe. O professor Mauro até comenta isso em uma de nossas reuniões da G.U.C da Unaqua que pode ser vista no link abaixo.


Essa capítulo é muito extenso e muito relevante, então é difícil separar partes para comentar, mas eles abordam também como o peixe pode selecionar as bactérias que vão se adaptar aos seu intestino e quais não vão. Eles até dão exemplo de um zebrafish que foi criado em ambientes diferentes, mas o gênero de bactérias que colonizou o intestino dos peixes foi semelhante. Isso é um tiro no pé dos probióticos porque imagina querer tratar um peixe que não aceita o probiótico? Aí eles continuam falando como existe pouca informação sobre interação entre o hospedeiro, o ambiente ao redor e a comunidade bacteriana. Além das questões do hospedeiro, entram a questão de alimentação onde teores de proteínas, açúcares, gorduras e aditivos diversos afetam a microbiota.



No capítulo 5 fala-se das metodologias relacionadas coma avaliação das comunidades do trato gastrointestinal dos peixes. É um capítulo técnico demais e sem importância com esse texto, mas ou menos ele tem umas imagens legais. Essa abaixo até me fez lembrar das micrografias do meu mestrado.


No capítulo 6 o funil começa a apertar em direção à parte prática dos probióticos e fala das bactérias ácidas láticas que naturalmente estão presente nos peixes e crustáceos. Muito engraçado que só agora eu percebi que dessas bactérias láticas,, existem um tanto de patogênicas como streptococcus, vagococcus, weisella e várias outras. Também faz um apanhado dessas bactérias encontradas em peixes diversos.


No capítulo 7 finalmente chegamos aos probióticos e prebióticos em si. Um detalhe que me havia passado batido na primeira vez que li esse livro foi uam menção de um fato não diretamente relacionado, mas muito influente: a União Europeia, em 2006, proibiu o uso de produtos antimicrobianos como promotores de crescimento, então alternativas (inclusive do mercado) começaram a surgir. Até se fala do surgimento do Yakult no Japão em 1935. Engraçado ler agora que a primeira vez que vimos o uso do termo probiótico foi em 1913, mas a primeira vez que eles viram foi de um documento de 1953. Acesso a informação aumentou muito nos últimos anos.


Um ponto importantíssimo desse capítulo são os critérios levantados para ser um probiótico. ei-los aqui:

  • não deve ser patogênico, não apenas em relação à espécie hospedeira, mas também em relação a animais aquáticos em geral e consumidores humanos

  • deve ser livre de genes de resistência a antibióticos codificados por plasmídeos

  • deve ser resistente a sais biliares e baixo pH

  • deve ser capaz de aderir e/ou crescer bem dentro do muco intestinal

  • deve ser capaz de colonizar a superfície epitelial intestinal

  • deve ser reconhecido como seguro para uso como aditivo alimentar

  • deve exibir características de crescimento vantajosas (por exemplo, um curto período de latência, um curto tempo de duplicação e/ou crescimento nas temperaturas de criação do hospedeiro)

  • deve exibir propriedades antagonistas em relação a um ou mais patógenos-chave

  • deve produzir enzimas digestivas extracelulares relevantes (por exemplo, quitinase se ingredientes ricos em quitina forem incorporados à dieta, ou celulase se a dieta for rica em ingredientes vegetais) e/ou vitaminas

  • deve ser indígena ao hospedeiro ou ao ambiente de criação

  • deve permanecer viável sob condições normais de armazenamento e ser robusto o suficiente para sobreviver a processos industriais


No capítulo 8 fala da modulação da microbiota intestinal pelos probióticos. Começa a ficar bastante interessante. Nesse capítulo é abordado como cada tipo de probiótico e sua relação com o crescimento e decrescimento em comparação com alvos específicos. Esse é um dos pontos analisados onde os probióticos podem competir e reduzir a presença de microrganismos patogênicos.


riscos dos probióticos


No capítulo 9 começam a apresentação dos estudos com efeitos da aplicação de probióticos na em peixes de água fria como salmão, truta, cod (não sei a tradução) e por aí vai. Não é bem nosso foco de aquarismo, então vou pular. É importante notar que aqui já começa uma das críticas principais: você não tem informações sobre cultivo, sobre variedade, sobre genética, sobre alimentação, sobre remédios que podem ter sido utilizados e n outras variáveis. Só tem a espécie, probiótico e parâmetro analisado.


O capítulo 10 já é sobre a aplicação de probiótico em peixes de água temperada e água quente. Nessa parte são apresentadas vários estudos em peixes como garoupa, bass, dourada, tilápia, carpas, paulistinha, bagres e outros peixes de corte. Foca-se muito no crescimento, sobrevivência e resposta imune. Como carpa é o mais perto que a gente vai ter de peixe ornamental e eles fazem o favor de separar uma linha para falar de carpa na variação koi, a ornamental, segue a tabela.


Uma coisa que me chamou atenção foi a conclusão do capítulo, um parágrafo longo apenas. Eles falam que a literatura mostras evidências do efeito de modulação dos probióticos no bem estar, crescimento, reprodução, etc. Ele usa o termo "these observations", essas observações (no sentido de prestar bastante atenção em algo), para puxar a frase falando da abordagem multidisciplinar nos laboratórios para ter esses resultados. Isso são observações somente .


O capítulo 11 fala de probióticos em crustáceos, então não precisamos comentar dele hoje.


O capítulo 12 é uma pergunta: "Os probióticos podem afetar os processos reprodutivos de animais aquáticos?". Esse capítulo é o primeiro que me recordo de mencionar os peixes ornamentais e separa um subtítulo sobre efeito dos probióticos na reprodução de poecilidios ornamentais. O artigo parece um pouco do clássico centopeia humana, mas os fins parecem justificar os meios. Eles removeram Bacillus Subtillus do intestino de uma carpa, cultivaram esse bacillus e testaram com guppy, molinésia, platy e espada. O resultado foi que aumentou o índice gonadossomático e a fecundidade das fêmeas. [pausa pra eu achar esse artigo]

[pausa pra eu ler o artigo]

Interrompi a sumarização do livro porque esse artigo sobre probióticos e poecilidios é sensacional, principalmente porque ele vai no que eu falei lá em cima da ciência: A metodologia é o mais importante. Pulei resumo (já vi no livro), pulei introdução (é a última coisa que se lê) e fui direto na metodologia. Os resultados só são relevantes se a metodologia for. A parte mais importante da metodologia é a preparação da alimentação e segue a devida tradução:

A dieta controle foi formulada usando os ingredientes farinha de peixe, farinha de trigo, farinha de soja e bolo de óleo de amendoim misturados em proporções iguais. A massa preparada adicionando a quantidade necessária de água a esses ingredientes foi esterilizada a vapor (autoclave a 121 °C por 15 minutos) e incorporada com uma mistura comercial de vitaminas e minerais (Global Agro Vet, Kolkata) a 3% (v/w) e peletizada usando um peletizador manual para obter pellets de 1 mm. Os pellets foram inicialmente secos ao sol e depois secos em forno a 60 ± 5 °C por 12 horas até um teor de umidade de 10%. Eles foram manualmente quebrados em pedaços menores e armazenados em recipientes de polipropileno estéreis e herméticos à temperatura ambiente.
As rações probióticas de teste T1, T2, T3 e T4 foram preparadas pulverizando suavemente a quantidade necessária de suspensão bacteriana na dieta controle e misturando parte por parte em um misturador de tambor para obter uma concentração final de probiontes de 5 × 10^8 células g^-1 (T1), 5 × 10^7 células g^-1 (T2), 5 × 10^6 células g^-1 (T3) e 5 × 10^5 células g^-1 (T4) na ração controle, respectivamente. As suspensões de células probióticas foram adicionadas na dieta controle após a massa ter sido autoclavada e subsequentemente resfriada, antes da peletização.
A composição proximal (umidade, proteína, cinzas, lipídios e fibra) de todas as rações probióticas e da ração controle foram determinadas usando os procedimentos padrão da AOAC (1990). As rações incorporadas com a cepa probiótica foram embaladas em recipientes de polipropileno estéreis e armazenadas a 4 °C para estudos de viabilidade. As contagens totais da bactéria probiótica em suas respectivas rações foram determinadas no 0º, 30º, 60º e 90º dia de armazenamento por espalhamento em TSA.

O que tem de tão importante nisso? As rações com probiótico foram armazenadas a 4°C.


Qual probiótico de aquário que você já viu pra aquário tem que ficar armazenada refrigerado? Nenhum. Por que? É porque o probiótico brasileiro é o melhor do mundo e ultrapassa as leis da natureza? Ou porque não tem padrão de qualidade?


Voltando aqui, legal é ver o resultado da contagem de células viáveis reduzindo ao longo do tempo mesmo refrigerado a 4°C. Agora me diz o quando não dá alteração nos 20 e tantos graus de temperatura média brasileira? É a mesma questão de conservação de colônias viáveis que está lá no texto de aceleradores de biologia. Sem controle de substrato e temperatura, não tem como manter viabilidade por muito tempo.

Não vou trazer todos os resultados, mas vou apresentar os do guppy. O que se nota são dispersões altíssimas em relação à média para fecundidade, sobrevivência, morte de larvas e deformidade. Como não temos outros dados como desvio padrão, Isso indica uma baixa precisão estatística, seja por uma variabilidade natural nessas taxas, seja pelo tamanho da amostra muito pequeno ou até mesmo que os dados naturalmente não são homogêneos. Agora, comprimento e peso do adulto e das larvas e o do GSI apresentaram uma dispersão mais baixa, o que significa uma maior uniformidade de dados. Não vou fazer essas contas, mas olhando a tabela já dá pra ter uma noção muito claro que boa parte dos dados estão dentro do intervalo um do outro. Só olhar os valores máximos e mínimos. Não consigo ver muitos resultados significativos, você consegue?


Esse artigo foi um excelente exemplo de como analisar o conjunto metodologia + dados + conhecimentos do assunto é importante. Uma parcela dos leitores aqui é reprodutora de peixes e conhece muito bem o quão grande é a dispersão de variáveis nas ninhadas de peixes. Isso também me lembrou o artigo da Nature que citei lá em cima sobre o quanto é importante para melhorar a qualidade dos artigos o fornecimento dos dados brutos.


Voltando ao livro, eles falam de coisas semelhantes ao que falaram dos poecilideos com o zebrafish e aos killifish. Mesmo linha de raciocínio.


Agora vamos ao que eu considero o melhor capítulo do livro e o mais voltado ao dia a dia do aquarismo.


O capítulo 13 trata dos problemas relacionados ao escalonamento dos probióticos a nível industrial. As que são leigos no termo escalonamento, segue um vídeo de uma entrevista com o professor Marcelo Speziali, professor aqui da química na UFOP, parceiro de trabalho do meu orientador de doutorado, e que é hoje o diretor de Ciência, Tecnologia e Inovação da FAPEMIG.



Em termos práticos, esse capítulo vai abordar a dificuldade que é você tirar uma tecnologia que funciona em laboratório e fazer funcionar no mundo real. Em laboratório, até fusão nuclear funciona. Para quem não acompanha, a fusão nuclear é uma tecnologia estudada com resultados positivos desde 1900 e bolinha, já era muito estudado no Projeto Manhattan, mas até hoje não existe NENHUMA usina funcionando, é uma tecnologia que não escalonou.


Voltando ao livro. Eles começam abordando as vantagens de usar os probióticos com os seguintes pontos de vista:


  • Em primeiro lugar, em um momento de preocupação global (em relação à segurança humana) quanto ao uso contínuo de antibióticos como promotores de crescimento, os probióticos oferecem alternativas prontas para uso.

  • Em segundo lugar, os agricultores poderiam se familiarizar mais com o conceito de 'gestão do ecossistema microbiano', o que poderia levar a uma mudança fundamental de uma abordagem anti(biótica) para uma abordagem pro(biótica), geralmente considerada mais amigável ao meio ambiente e sustentável.

  • Em terceiro lugar, o uso de probióticos permitiria que os agricultores se tornassem inovadores, acessando novas tecnologias e/ou ferramentas de gestão para lidar com certos problemas específicos para os quais soluções ainda não haviam sido desenvolvidas e, portanto, ainda não estão disponíveis


Depois eles levantam as diretrizes para o escalonamento e explicam como é difícil garantir a segurança do produto. O probiótico deve ser seguro, é mandatório, mas como garantir, por exemplo, os efeitos no meio ambiente para os órgãos reguladores? Será que se uma água de piscicultura cheia de probiótico cair no rio vai alterar a dinâmica do ecossistema?

O segundo ponto para escalonamento das tecnologias é comprovar a eficiência do probiótico em nível industrial. Existem questões legais de imagem porque nenhuma empresa quer ter a fama de fraudulenta, tem questões de segredo industrial natural da competitividade da indústria. Se funciona, ninguém quer contar pro concorrente o que é.

O terceiro ponto é produzir probióticos com qualidade. Esse é um ponto crucial e talvez o gargalo da indústria. É muito difícil produzir certos tipos de bactérias fora do laboratório, eles citam, por exemplo, algumas bactérias láticas que precisam ser multiplicadas, secas, suspensas numa solução e depois aplicada. Esse método é pra lá de inviável na indústria. Eles mencionam várias vezes que a eficácia não depende só da espécie, depende da viabilidade, estabilidade e atividade na hora da aplicação (igual acelerador de biologia). Eles comentam de um estudo de produtos comerciais de microrganismos da Tailândia onde em quase todos faltam instruções e existe muita discrepância entre o anunciado e o encontrado.

Uma coisa relacionado ao escalonamento de bactérias que é muito problemático é que esses microrganismos mudam. Eles geram variações igual as variações do covid. Agora imagina a dificuldade que é manter uma cultura pura, sem variações, saindo de uma amostra de alguns ml para chegar numa produção de milhões de litros? Geralmente a bactérias que está no começo não é a bactérias que está no final.

Eles falam que é necessário estrito controle de temperatura e umidade dos probióticos? [insira risos aqui quando lembro do modo de conservação dos probióticos de aquário).

O próximo passo é a preocupação com o modo de uso do probiótico. Via água, via ração. É necessário considerar toda a cadeia produtiva. Como usar um probiótico termosensível se as rações ficam estocadas em temperatura ambiente? Para esses casos são preferidas as bactérias que produzem esporos, mas ainda tem toda a questão de viabilidade.

O último ponto da dificuldade do escalonamento dos probióticos é registro. O registro formal é muitas vezes necessários para financiamentos, investimentos ou mesmo licença de operação. Isso tudo dificulta a tecnologia sair do laboratório. É o vale da morte do escalonamento.


Até procurei artigos posteriores à publicação do livro e não achei nenhum caso prático. Estou procurando em revistas da indústria da aquicultura( Como Hatchery International), mas ou encontro artigo de pesquisa de laboratório ou de propaganda de produto, uma prática que vem causando problemas na credibilidade da academia também.


Segue abaixo um artigo de uma revista fazendo propaganda de um produto. Quando você abre o artigo, é um artigo como os outros de laboratório que está mal mal em um TLR 3. Já viu o que é TLR 3 no vídeo do Spezili pra entender?

Uma coisa que pode estar já num nível mais alto de escalonamento é no camarão, mas são animais só um pouquinho diferentes. Ainda são poucos, ainda não há repetibilidade, mas estão aparecendo. Conversei com alguns criadores de camarão aqui no Brasil, mas eles não tem tido bons resultados com probióticos não.

PS: Eles usam bactérias púrpuras para tratamento no artigo do camarão para melhorar a qualidade da água como agente de controle biológico :D

Os artigos são sempre com o mesmo roteiro, citando as mesmas referências. Dificilmente algum traz algo novo. Olhem aí, tudo mesma coisa.

https://link.springer.com/article/10.1007/s10499-020-00509-0 (esse aqui fala um tanto de porque é difícil dar certo fora de laboratório)

https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0044848609001124 (esse artigo me enganou. pelo título achei que ia ter uns dados legais, não tem. São tem fotos de bactérias púrpuras que foram legais. Os artigos que eles citam estão em chinês, então fica difícil de checar e fica meio duvidoso o bagulho.)


Os capítulos 14 e 15 são sobre prebióticos, então fica pra outro texto.


O capítulo 16 fecha o livro fala sobre alimentos vivos e sua relação com probióticos e prebióticos. Esse é talvez o capitulo mais prático e o com melhores direcionamentos do assunto. Eles falam do uso de probióticos nos alimentos vivos para melhorar a criação igualzinho dos peixes. Eles também mencionam a bio-encapsulação de probióticos nos alimentos vivos. nada muito grande. O grande charme desse capítulo é a questão das micro algas, a famosa água verde, como um excelente probiótico. Todo criador de peixe sabe a diferença de criar um peixe na água verde e na água cristalina, o peixe na água verde cresce mais. De todos os probióticos citados no livro, é o único que é já usado em escala industrial, o escalonamento da tecnologia já está muito avançado com indústrias no mundo todo. Um tempo atrás vi um sistema de produção de microalga num sistema de boias triangulares bem legal.


Microalga é acessível, barato, testado e aprovado há décadas no mundo todo. As fazendas de Koi do Japão engordam os peixes em água verde.



A questão prática dos probióticos


Já falamos aqui muito de teoria, de definições e de estudos, então agora é hora de dar opinião, de analisar tudo que já foi mostrado.


Nós aqui testamos probióticos desde 2017 quando compramos nosso primeiro probiótico. Desde então todo lançamento do mercado nós compramos. Alguns detalhes de probióticos no aquarismo eu tenho notado:


  • Algumas marcas trabalham com fracionamento e reembalagem de produtos. Fica evidente na hora que abre que é o mesmo produto, mesmo substrato, mas sem dizer o laboratório de origem;

  • Algumas embalagens de armazenamento são completamente inadequadas, principalmente em questão de controle de umidade;

  • Muitos probióticos apresentaram baixo nível de atividade em substratos variados. Alguns probióticos apresentaram menor atividade biológica que o controle. 

  • Nenhum produto é refrigerado, mesmo os contendo organismos não formadores de esporos. Vocês viram o quanto que mesmo o bacillus subittilis,uma bactéria formadora de esporos, reduz a sua quantidade mesmo refrigerada a 4°C, agora imagina o quanto reduz sem controle de temperatura e de umidade?

O  que mais pesa em relação aos probióticos é que a única coisa que tem é opinião de hobbista, e não tive notícia até hoje de alguém que quantificou alguma coisa da área. Os piscicultores que eu conheço e converso, os que analisam esses fatores porque vivem disso, nenhum teve sucesso com probiótico nenhum. Para o piscicultor, qualquer 1% de melhora na produção são milhares de peixes a mais. 


Olhando as revistas internacionais de piscicultura e procurando sobre estudos de casos na indústria, não se acha nada. Olha alguns exmeplos:


A Hatchery International tem apenas 4 publicações sobre probiotics, sendo nenhuma de estudo de caso, apenas laboratório e camarão. Um dos estudos de camarão, inclusive, um funcionário da empresa que vende o probiótico. Não dá pra imaginar nenhum conflito de interesse, né?


Na Aquaculture Magazine eu encontrei cerca de 60 publicações sobre probióticos, sendo a mais recente uma das melhores que eu já vi sobre. A maioria das publicações são divulgação de produtos/empresas, livros e pesquisas, apenas 1 de estudo em escala de fazenda. A maioria nem é mesmo sobre probióticos. 


Acima eu falei que tem poucos testes de terceiros e que em camarão está mais avançado. Então a revista fez o teste. Metodologia adequada e os resultados nada muito diferente do que a gente sempre diz:


 “O resultado do estudo indicou que nenhum dos quatro probióticos comerciais foi detectado nos viveiros de camarão ou no trato intestinal dos camarões brancos amostrados no DOC 47. Cada viveiro de camarão pareceu desenvolver comunidades microbianas específicas tanto na água de criação quanto no intestinos de camarão.


Na Global Seafood Alliance encontrei muitos artigos (148), mas a maioria apenas divulgação de pesquisas ou propaganda que as empresas fazem dos seus próprios produtos. Muitos nem mesmo abordam o tema de probióticos. 


Um dos poucos artigos analisando uso na prática, fora de laboratório, tem o mesmo resultado de sempre. Esse artigo é massa porque dá nome aos probióticos usados.

 

“Depois de alimentar o bagre híbrido por 6 meses, os peixes em todos os tratamentos ganharam cerca de 454 gramas (1 libra). Os peixes alimentados com a dieta combinada tiveram o maior ganho de peso de 509 gramas e a melhor conversão alimentar de 1,46; no entanto, as diferenças entre os tratamentos não foram estatisticamente significativas (Tabela 1). A sobrevivência foi alta em todos os tratamentos, em aproximadamente 90 por cento. Peixes representativos de cada tratamento foram processados para calcular o rendimento de carcaça, filé e pepita, e a composição centesimal dos filés também foi determinada (Tabelas 2 e 3). Os vários tratamentos dietéticos não tiveram efeitos significativos nas características ou composição do processamento.”

É outro artigo que vale muito a pena ler na íntegra.


Esse artigo aqui é legal porque é de 2000, tem 24 anos já e eles já pesquisavam esses produtos há 20 anos, então são 44 anos de pesquisas. Os resultados são os mesmos que você já devem estar esperando:


" Os estudos não revelaram diferenças significativas entre os tanques tratados com o suplemento bacteriano comercial e aqueles que não o foram, para sobrevivência dos camarões, rendimento final, peso final médio e conversão alimentar com ambas as dietas para qualquer espécie de camarão. O tratamento bacteriano não produziu nenhuma melhoria significativa na remoção de amônia ou nitrito, no acúmulo de nitrato nos tanques ou em quaisquer outros parâmetros de qualidade da água monitorados. Não houve diferenças significativas nos parâmetros do lodo entre os tanques de camarão tratado e não tratado. Portanto, a adição do suplemento bacteriano não produziu quaisquer melhorias mensuráveis na qualidade da água ou dos sedimentos, ou no rendimento do camarão em relação aos tanques não tratados.”

Tem até um brasileiro, mas foi feito pela empresa que vende o produto e publicado numa revista nacional de propaganda xD nos gráficos os resultados mostram que está tudo dentro da mesma margem de erro. 


Na Aquaculture North America também só tem reportagens de divulgação científica. Uma dessas reportagens chama atenção justamente pela questão da escalabilidade que eles mencionam. Eles mencionam o processo para a vacina, mas o probiótico vira outro artigo científico.


 Aí, como sou curioso, fui procurar a pesquisa pra ver como tá atualmente…


Achei o boletim final de prestação de contas do projeto. E o resultado? Vou colocar um print até. não tem diferença significativa do controle pro probiótico

“Estes resultados indicam um potencial efeito benéfico (ou seja, mortalidade reduzida) da alimentação da cepa probiótica C6-8 antes do desafio de F. columnare, mas deve-se perceber que não houve diferenças significativas entre os grupos de tratamento e controle em qualquer um dos experimentos de desafio. descrito acima. São necessários mais estudos para determinar se a alteração da dose ou duração da alimentação probiótica aumenta os efeitos para o controle do columnaris."


Isso resume toda a questão do escalonamento, de transformar uma pesquisa de laboratório bem feita em uma solução real. A pesquisa foi bem feita, teve resultados em laboratório consistentes, mas na hora de jogar pro mundo real, falhou. É o que acontece com a grande maioria das pesquisas científicas. 


Para finalizar a parte de consulta industrial, não encontrei nenhuma publicação, nem acadêmica e nem industrial, no Freshwater Institute.


Na the The fishSite, numa reportagem do ano passado, pesquisas são feitos como probióticos para salmão. A professora Ingrid Bakke, do Departamento de biotecnologia e Ciência dos Alimentos da Universidade de Ciência e Tecnologia da Noruega diz categoricamente :"Mas o tratamento probiótico em larga escala ainda está muito distante." https://thefishsite.com/articles/could-exposure-to-specific-bacteria-be-beneficial-to-farmed-salmon



Para finalizar esse trecho, probiótico parece só funcionar com aquarista, nos laboratórios e empresas do mundo todo não tem funcionado não. Mesmo caso dos aceleradores de biologia.


Considerações sobre  probióticos no aquarismo


Recapitulando muito do que foi apresentado:


  • Os artigos científicos conseguem resultados apenas dentro do laboratório;

  • Fatores que influenciam no resultado (depende da espécie de peixe, linhagem, idade, alimentação e fatores ambientais não compreendidos);

  • Dificuldades de escalonamento para funcionar e vender fora do laboratório;

  • Falta de resultados comprovados reais que não sejam dos fabricantes ou de institutos independentes

  • E, mais importante, o próprio peixe selecionam os organismos do seu trato intestinal (não de maneira deliberada, claro)

 O que sobra?


Sobra achar que o aquarista está sendo iludido (pra variar). 


Não recomendamos e nem incentivamos o uso de probiótico devido a um preço elevadíssimo para algo com 0 nivel de comprovação de resultado fora de laboratório. 


O aquarista é às vezes muito inocente porque sempre busca dar o melhor que pode para seus animais e muitas vezes não tem a formação técnica para avaliar se um produto pode ser bom. O mercado quer ganhar dinheiro, circular dinheiro. Como ainda não há uma agência fiscalizadora específica ou legislação pertinente, pode-se fazer o que quiser sem responsabilidade. 


Também, quando o aquarista não quer montar um aquário direito com luz adequada, filtragem adequada, fauna adequada, atenção e manutenção adequada e tudo mais, fica rezando por um produto milagroso que vai resolver o problema dele sem trabalho. Esse é o público alvo desse tipo de produto que vão de aceleradores, a probióticos, mídias biológicas que emitem radiação, camarão enterrado no substrato


Os probióticos prometem muita coisa, mas não entregam nada.


Pessoalmente achamos que só acontecem efeitos placebo com esses produtos.

Pequenos indícios, por mais fracos que sejam, para justificar o contrário não existe. 

Muitos defensores têm inventado condições que nem mesmo os fabricantes anunciam, que não estão presentes em lugar nenhum. Inventam que precisa de certo padrão de água (sem mencionar valores), formas de usar sem padronização e o clássico “Tenho feito e funciona pra mim”. Eu pessoalmente adoro esse argumento. 


Existe o real interesse em fazer funcionar esse tipo de produto. A indústria da aquicultura é bilionária, então pequenas melhoras de eficiência do processo rendem muito dinheiro, mas elas ainda não apareceram. 


Não é a primeira vez que vender algo que as pesquisas científicas prometem acontece, mas que não conseguem resultados concretos. Também não será a última.


Conversando com um amigo meu sobre probiótico, o Professor Mauro Schettino, ele mencionou que esse caso dos probióticos lembra muito um caso que aconteceu no fim dos anos 90 com alho na alimentação de gado. Pesquisas sempre falaram que alho pode ajudar no controle parasitário, então começaram a vender ração pra boi com olho. venderam muito. Vendem até hoje. Resolveu alguma coisa? Acho que vocês já imaginam a resposta. Só que, diferente do aquarismo que é um hobby, o gado é uma indústria de muito maior interesse. Veio então a EMBRAPA e testou na prática e não encontrou nada significativo.


Por curiosidade eu fui pesquisar sobre probiótico pra peixes na EMBRAPA, e só uma pesquisa de 2022 ainda em fase inicial, tanto que a metodologia é pobremente exposta. Tem mais autor na publicação do que detalhes da metodologia. Qual o tamanho do tanque? Qual o tipo do tanque? Qual a densidade de estocagem? Oxigênio dissolvido? Uma pesquisa de laboratório como todas as outras. https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/246478/1/Mix-de-probioticos-promotores-de-crescimento.2022.COT-249-22.pdf


Considerações para quem ainda quer usar probiótico


Bom, se ainda assim alguém está disposto a pagar caro por um produto que é ao menos 70% açúcares (isso mesmo, só ler o rótulo) vou dar dicas de como escolher ou conversar com o vendedor para achar o melhor para o seu peixe. Inclusive acho que muito do resultado é do açúcar. Quem já teve aquário marinho sabe do que estou falando rsrs


O primeiro ponto é ter em mente o que se quer. Você quer um probiótico ou você quer um agente de controle biológico. Se você tem problemas de qualidade de água, o primeiro passo é rever a filtragem para o sistema que se tem. A qualidade da água depende de fatores que muitas vezes os probióticos não conseguem ajudar, são naturezas muito diferentes. 


Agora, se você quer um probiótico para colocar na ração, você deve fazer as seguintes perguntas ao fabricante:


  1. Quais as condições de armazenamento necessárias? Essas condições são garantidas da saída da fábrica até o consumidor final? Essa questão de conservação é fundamental para a viabilidade do produto durante seu uso.

  2. Quais as taxas de melhoria para as minhas espécies de peixes? Como a gente viu ao longo de todo texto e fica fácil de ver no artigo das poecílias, até em peixes da mesma família os resultados são diferentes para um mesmo probiótico. O aquarista precisa saber se o probiótico que está comprando é adequado para os peixes que tem. É um desperdício de dinheiro comprar um produto que não vai funcionar (As chances de funcionar, de toda forma, são ínfimas mesmo). 

  3. Quais os testes foram feitos para garantir os resultados anunciados? Como falei e mostrei ao longo do texto, saber a metodologia é mais importante que os resultados. É preciso apresentar a metodologia e os resultados. 

  4. Quem fez os testes? Como já estamos cansados de saber, todo mundo quer vender a sua sardinha e fica fácil falar que o meu produto funciona. Testes confiáveis são apenas quando não há conflito de interesse. 

  5. Qual a garantia de resultado do produto? É muito importante saber o que o produto cobre e a garantia que o fabricante dará se não funcionar. Por exemplo, o produto fala que seu peixe vai crescer 10% mais do que um que não usar o probiótico. Se o seu peixe não crescer, o fabricante irá te ressarcir? Se seu peixe morrer de uma doença que o probiótico deveria prevenir, têm ressarcimento?

Agentes de controle biológico x Probiótico


Na literatura não há um consenso sobre a divisão dos termos de probiótico e agente de controle biológico. Aqui nós consideramos separados porque existe uma série de situações onde o termo probiótico que a gente usou lá em cima, o da FAO, não se encaixa em nada. Por exemplo, o uso de microrganismos para limpar vazamento de petróleo. Esse é um caso onde o termo probiótico não se aplica. Usar microrganismos para tratar águas de drenagem ácida de mina também. 



Também existe muita controvérsia com agentes de controle biológico, mesma questão com os mesmos  problemas dos probióticos e aceleradores de biologia. Em questões práticas de remediação, ainda não vi nada seguro e funcional como filtragem, o mais perto são as wetlands construídas, vulgo filtro de plantas. Produtos microbiológicos ainda são muito instáveis. 


Considerações finais


Probióticos para peixes são uma promessa do mercado, ainda em resultados fora do laboratório. A tecnologia está desenvolvendo, mas não houve avanços reais nos últimos 50 anos. Entende-se melhor hoje os mecanismos que fazem funcionar em laboratório, melhor controle de produção e diversidade dos microrganismos de interesse, mas ainda não se consegue sair da escala de laboratório para o mundo real. Existem muitas empresas no mercado que vendem probióticos para peixes, mas nenhuma empresa que viva de peixes produzidos com probióticos.


Se você tem algum material sobre probióticos diferente do que apresentamos aqui e que não seja teste de laboratório, manda pra gente! Conhece alguma indústria do ramo que queira conversar? Pede pra entrar em contato conosco.




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