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Dimensionamento de um filtro biológico do tipo Dry Wet para aquários, lagos e baterias de peixes

Um dos principais questionamentos de quem está iniciando no aquarismo é sobre o dimensionamento da filtragem do seu aquário. Qual o tamanho do filtro? Qual a vazão que tenho que usar? Qual a quantidade de mídia necessária? Leia todo esse texto e tenha as respostas para todas essas perguntas.

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Dimensionar um filtro biológico tem precisão e funciona


O dimensionamento de um filtro biológico para peixes, sejam eles habitantes de aquários, lagos, baterias ou tanques é o mesmo, só muda a magnitude das variáveis. Você vai ter um maior ou menor volume, menor ou maior quantidade de peixes ou diferença no tipo de alimentação ofertada, mas o processo do cálculo é o mesmo.


Na engenharia de aquicultura existem décadas de estudos sérios, aplicações práticas e sucessos comerciais que atestam a eficiência desse tipo de dimensionamento, mas já ouvi de muitos formadores de opiniões que isso não funciona o aquarismo rsrs


Acreditamos que as informações técnicas e científicas da engenharia de pesca e do tratamento de esgoto não são moralmente aceitas no aquarismo porque teriam que ser revistos muitos mitos, dogmas e produtos usados normalmente.


No aquarismo sempre foi aceito que o melhor é o mais caro, seja uma mídia filtrante, um filtro ou outra coisa similar, então algo barato e de fácil acesso que funcione não é bem visto por lojistas e anunciantes.


Vantagens em dimensionar corretamente o seu filtro biológico:

  • Economiza recursos evitando excesso de materiais caros como bombas e mídias

  • Evita problemas de filtragem depois que os peixes crescem

  • Permite saber se há espaço disponível para o aquário que se deseja

  • Permite saber o limite do sistema de filtragem que você tem


O método usado para cálculo da filtragem nesse artigo


Não fomos nós da Aquários Sobrinho que criamos esses cálculos, na verdade eles são baseados na literatura cientifica. Devido aos vários métodos disponíveis, nós optamos por usar somente o disponível no livro Recirculating Aquaculture, do Timmons & Ebeling.


Esse método de dimensionamento é usado em universidade e empresas por todo o mundo para dimensionamento de filtros biológicos. Ele é mundialmente conhecido pela sua eficácia e segurança.


No livro, também. Existem vários exemplos de casos aplicados que quem adquirir o livro pode ler para se inteirar mais do assunto. É uma excelente leitura.


Informações EXTREMAMENTE IMPORTANTES sobre esse artigo


Esse artigo tem como único objetivo mostrar que existem cálculos sérios e realistas que podem ser usados para dimensionar um filtro biológico. Ele de maneira nenhum deve ser aplicado sem correta adaptação para o sistema desejado. Nós não nos responsabilizamos por interpretações equivocadas e tentativas que não deram certo. O objetivo desse texto é puramente INFORMATIVO e para servir apenas como ponto de partida no planejamento de sistemas de filtragem.


Cada sistema de filtragem tem suas peculiaridades que podem alterar significativamente as variáveis do processo.


Passos para dimensionamento do seu filtro biológico


Para ficar mais fácil a compreensão de como calcular o tamanho de um filtro biológico do tipo dry wet, nós dividimos o processo em um passo a passo de fácil compreensão. Essa é a mesma metodologia utilizada no livro da referência.


Cada modelo de filtro possui peculiaridades que modificam algumas variáveis dos cálculos. Os cálculos aqui apresentados são para um filtro do tipo Dry Wet, também conhecido por trickling filter.


Nós já falamos bastante sobre filtro Dry Wet para aquários no nosso artigo presente no link abaixo:

https://www.aquariossobrinho.com/post/drywet


Muito do que vai ser utilizado aqui já foi apresentado em vários textos, sendo o principal o nosso artigo dando muitos detalhes sobre a filtragem biológica que pode ser lido no link abaixo:

https://www.aquariossobrinho.com/post/filtragembio


Passo 1: Determinação do tamanho do aquário, lago, bateria ou tanque de peixes


Esse é o pontapé inicial e o mais simples. É só saber o volume real de água que precisa ser filtrada pelo filtro.


A maneira mais segura é usar o volume bruto do sistema, assim, você trabalha com uma pequena margem de segurança. Se é um aquário com dimensões totais de 100x50x50 cm, trate como 250 litros de água total, mesmo que não vá encher todo o aquário de água.


Na dúvida sempre arredonde para cima o volume de água do seu sistema.

Passo 2: Determinação da massa de peixes total


A filtragem está diretamente relacionada com a massa dos peixes porque isso está relacionado com a quantidade de ração que o peixe come, com a quantidade de oxigênio consumido da água e com a quantidade de gás carbônico produzido.


É muito difícil determinar o peso de peixes, principalmente dos peixes pequenos. O processo de pesagem de peixes vivos é trabalhoso e estressante para os animais e não deve ser realizado por quem não tem experiência.


Para ter uma ideia do quanto o peixe pesa em função do tamanho, pode-se usar tabelas encontradas em textos de piscicultura com várias espécies de peixes. Abaixo algumas tabelas com os pesos dos peixes em função do tamanho de tilápias.

e carpas. Basta maximizar a imagem para ver a tabela inteira.

Você também pode pesquisar na internet o peso das espécies que tem. Algumas das espécies comuns de peixes ornamentais são muito estudadas e tem seus dados publicados em artigos científicos.


Você deve usar o peso do peixe adulto, mesmo que o seu peixe seja juvenil ainda. Em pouco tempo o peixe vai crescer e o filtro vai ter que dar conta do recado.

Resumindo, estime a quantidade de peixes que vai ter no máximo no seu sistema, determine o peso de cada um quando adulto e some o peso total.

Passo 3: Determinação da quantidade de alimento utilizado e a proporção de proteínas


A quantidade de amônia produzida pelos jeitos está relacionada com a quantidade de proteína contida na alimentação. Quanto maior a quantidade de proteínas, maior a quantidade de amônia a ser removida pelo filtro e maior o filtro vai ter que ser.


É comum o uso de 3% da massa do peixe em ração por dia na engorda de peixes de corte e é o valor que assumiremos para os cálculos já que peixes adultos tendem a comer menos. Quando se usa alimento vivo, é preciso usar a proporção de proteínas que tem nela. Para facilitar as contas, assuma que o peixe come os mesmos 3% do seu peso em alimento vivo também.


Assim, uma caixa d´água de 2000 litros com 1000 espadinhas adultas (Xiphophorus helleri) de 8 gramas cada, terá 8 kg de peixe e será usada diariamente 240 gramas de ração ou 240 gramas de dáfnias.