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Teste de Cálcio - Por que sempre fazer?

Hoje iremos falar sobre o teste de Cálcio, um teste que é muito mais importante do que parece porque ele tem um papel físico, químico e biológico no aquário e não apenas de componente para os corais duros.

O Cálcio é encontrado nos oceanos na faixa de 410ppm, ou seja, menos de 0,5 gramas por litro de água. A concentração de água do mar varia de acordo com a salinidade (a reserva alcalina é muito importante nesse fator) e um pouco pela profundidade do oceano. Ele é principalmente encontrando na forma de íons livre, mas também é encontrado em menor escalar associado com outros íons ou a compostos orgânicos.


Deixando o oceano de lado, já que num aquário não segue as mesmas regras (a não ser que você tenha um aquário com milhões de toneladas de carbonato de Cálcio dentro dele), é preciso repor o Cálcio que se precipita rapidamente no aquário marinho ou é consumido pelos diversos organismos habitantes do aquário.


O Cálcio funciona nos peixes como controlador das trocas de substâncias entre as guelras e a água, assim, se o Cálcio tiver em concentrações impróprias acaba por comprometer essa regulação dos peixes. O Cálcio na medida certa vai evitar que o peixe perca íons preciosos para a água e absorva os importantes. Existem duas formas em que o peixe absorve Cálcio: pelas guelras e pelo intestino, sendo que geralmente a maior absorção é pelas guelras. Os invertebrados como corais, conchas e crustáceos também necessitam de Cálcio na concentração ideal para a sua osmorregulação e crescimento correto. As plantas também necessitam de Cálcio para crescimento, assim como as bactérias úteis ao aquário.


Todo peixe precisa de Cálcio para compor seus ossos ou cartilagem, escamas (quando tem) e também para que as células realizem suas funções metabólicas. Assim, mesmo os peixes de água doce, precisam de Cálcio na água para poderem crescerem saudáveis. Isso quer dizer que num aquário de água salgada apenas de peixes que o Cálcio deve estar ente 410ppm e 450ppm, a mesma concentração de um aquário que tenha corais.


Na água doce também é preciso manter a concentração de Cálcio indicada para os peixes por todos esses motivos expostos com sérios riscos de problemas de saúde. O Rio Negro possui uma concentração média de Cálcio de 0,212 ppm e o Rio Amazonas possui concentração média de Cálcio de 7,2 ppm, ou seja, o Rio Amazonas tem mais de 30 vezes a concentração de Cálcio que o Rio Negro e é por isso que muitos peixes que existem no Rio Negro não existem no Amazonas, como os acarás discos, por exemplo. Um outro peixe famoso que vive em águas de alta quantidade de Cálcio é o Lepisosteus Osseus, vulgo boca de jacaré, que é encontrado do Rio Grande (Texas, Estados Unidos) onde a concentração de Cálcio é de 84ppm. Há quem pense que as águas dos lagos africanos Tanganyika, Victoria e Malawi, por terem alta alcalinidade, possuem alta concentração de Cálcio livre, porém a maior concentração desses três lagos é encontrado no Lago Malawi e é de até 20ppm, menor que o Rio Grande nos Estados Unidos.


O Cálcio é extremamente importante para as plantas pois é um componente fundamental da parede celular, tornando a planta fisicamente mais resistente. O Cálcio também é responsável pelo crescimento das raízes. É importante mencionar as plantas pois se elas não estiverem um substrato adequado irão retirar o Cálcio da água e poderão prejudicar a oferta desse íon aos animais. As algas usam muito o cálcio para formação de suas células, algumas depositam carbonato de Cálcio em sua estrutura, as algas calcárias que as mais famosas no aquário são a alga pink e a halimeda. Um fator importante do íon de Cálcio em relação às plantas é o fato de quando uma planta utiliza bicarbonato para fazer fotossíntese (quando há pouco ou nenhum CO2 na água) ela libera carbonato que sobre o pH, então, se houver íons de Cálcio na água, vai haver uma reação formando carbonato de Cálcio que irá se precipitar sem alterar o pH.


Os corais duros utilizam o Cálcio da água para a construção do seu esqueleto de carbonato de Cálcio e é o resultado mais perceptível do uso de Cálcio em um aquário, tanto que boa parte dos aquaristas acha que é a única função do Cálcio.


Os crustáceos também são outros animais que dependem grandemente dos níveis de Cálcio no seu metabolismo. Além do efeito osmorregulador, o Cálcio é importante para a constituição do exoesqueleto desses animais.

Assim sendo, o Cálcio é um parâmetro extremamente importante a ser monitorado inclusive em aquários de água doce, porém há uma deficiência no mercado de teste de Cálcio para os aquários dulcícolas (não conheço nenhum teste comercial para esse tipo de aquário). O Cálcio não é só fundamental para a osmorregulação de todos os animais, plantas e invertebrados de aquário como também é importante na composição física de todos esses seres vivos. É preciso manter o parâmetro ideal, nem mais e nem menos, pois a falta e o excesso são prejudiciais.

Em aquários marinhos é possível usar um reator de Cálcio ou usar o sistema Balling para repor o Cálcio que precipita e é consumido. Em alguns casos é possível repor o Cálcio apenas com TPAs regulares (ao menos uma vez por semana) de cerca de 20% a 25% do volume do aquário, mas essa prática pode custar mais para o bolso do que a reposição apenas de Cálcio diretamente.


Em aquários de água doce o Cálcio está abaixo da sua saturação, logo ele não precipita. TPAs semanais costumam manter os níveis de Cálcio estáveis. É preciso atentar que peixes grandes usam grandes quantidades de Cálcio e geralmente é preciso oferecer uma alimentação rica nesse mineral ou fazer suplementação da água com condicionadores específicos. Uma das maneiras de manter os níveis de cálcio constante é usando pouca aragonita, alga calcária ou conchas no aquário pois esse manterias reagem com os ácidos que surgem no aquário e liberam carbonato e Cálcio na água. Não é indicado usar conchas, aragonita ou alga calcária em aquários de água mole pois o carbonato não é muito benéfico a peixes desse tipo.


Os casos de overdose de Cálcio são raros, na maioria das vezes em peixes de água muito macia (discos e neons, por exemplo). A debilitação do animal por falta desse mineral, seja na água ou alimentação pobre, é causa de doenças que podem levar à morte.

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