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Como consertar e manter o pH do seu aquário

O pH é um dos parâmetros físico-químicos da água mais importantes que existem no aquarismo. O pH regula uma série de funções orgânicas nos peixes, plantas e até mesmo nas bactérias nitrificantes tão importantes no nosso sistema de filtragem.


Os aquários de água doce possuem pH que variam desde os 5,5 em alguns aquários de discos selvagens até os 9,2 em alguns aquários de ciclídeos africanos do Lago Tanganyika e precisam ficar adequados para o bem estar dos moradores do aquário.


Nos aquários marinhos a preocupação com o pH é baixa já que ele varia muito pouco, numa faixa média de 8,1 a 8,5 devido à alta reserva alcalina da água salgada.


Fizemos anteriormente um texto explicando a importância do teste de pH que pode ser lido clicando aqui!

O que é o pH?


O pH significa simplesmente potencial hidrogeniônico e é medida dos íons hidrônio (H3O+), muitas vezes simplesmente escrito como H+, na água. Esse medida é feita em relação a outro íon, o hidróxido (OH-).


A água pura, apenas H2O sem nenhuma outra substância dissolvida, possui um equilíbrio entre a quantidade H+ e a quantidade de OH-, o que indica uma água neutra. Porém, caso substâncias sejam adicionadas, esse equilíbrio pode se alterar.


Quando você aumenta a quantidade de H+ em relação a quantidade de OH- (adicionando um ácido, por exemplo), você tem uma solução ácida.


Quando você aumenta a quantidade de OH- em relação a quantidade de H+ (adicionando bicarbonato, por exemplo), você tem uma solução básica.  


O pH é um fator presente na nossa vida a todo instante, ele está presente na nossa urina, no nosso sangue, nos nossos alimentos, na água, enfim, em quase tudo que nos cerca.

Diferente do que muita gente pensa, a faixa do pH não é apenas de 0 a 14, ela pode extrapolar esses limites no caso de ácidos e bases muito fortes e concentradas.


pH nos aquários e lagos


Como já foi dito aqui e no outro texto, o pH é de extrema importância devido à sua influência no metabolismos dos seres vivos aquáticos, então vamos entender como o pH varia no aquário em função de uma série de fatores.


Antes de tudo é muito importante relembrar que cada espécie de peixe, planta e outros animais possuem uma faixa de pH a qual estão adaptados.


Alguns peixes possuem uma ampla faixa de pH enquanto que outros peixes possuem uma faixa bem restrita.


Mantenha em seu aquário ou lago apenas peixes, animais e plantas de pH compatível entre si!


Um dos erros mais comuns, principalmente entre os iniciantes, é achar que o pH 7, o pH neutro, é adequado a todos os tipos de peixes. Isso é um erro. Cada espécie de peixe possui sua própria faixa de pH ideal e deve ser respeitada.


O pH neutro raramente (para não dizer nunca) é encontrado na natureza, devido aos carbonatos das rochas e a acidez vinda do ar atmosférico.


Outro ponto interessante é que manter o pH em exatamente 7 é extremamente difícil, sendo muito mais fácil manter ele levemente alcalino (pH 7.2, por exemplo) ou levemente ácido (pH6.8, por exemplo).


Em um aquário apenas com areia inerte, peixes e filtros, o pH vai reduzir invariavelmente devido aos ácidos orgânicos produzidos pelos seres vivos do aquário e até mesmo à precipitação natural. A nitrificação é um processo que consome muito da reserva alcalina da água para neutralizar o H+ do processo da nitrificação.


Em termos de quantidade, cada grama de amônia que é removida do aquário pela nitrificação consome uma média de 7,14 gramas de carbonato de cálcio (um mineral eu produz uma base forte em contato com a água), o que é uma quantidade considerável.


Se você se interessou por essa relação entre a nitrificação e a queda do pH, vai gostar desse nosso texto aqui sobre a filtragem biológica com muito mais detalhes! Só clicar e ler!


Esse vídeo abaixo é do nosso lago de carpas que também tem uma horta aquapônica associada e tem um consumo médio mensal que varia de 2 a 3 quilos de aragonita! É muita coisa devida a alta taxa de nitrificação e os ácidos orgânicos diversos.

É praticamente impossível em um aquário que o pH suba sem estar presente um elementos alcalinizante, como uma pedra calcária e conchas. A única forma do pH subir no aquário é na presença de uma resina ou material que faça troca catiônica, como algumas resinas especiais.


Em caso de aquários e lagos plantados, acontece um curioso fato de variação de pH devido à fotossíntese.


Durante os períodos de luz, as plantas sequestram o CO2 da água, que se transforma em uma pequena quantidade ácido carbônico quando em contato com a água, para fazer fotossíntese e esse processo reduz a acidez da água (aumentando o alcalinidade).


A imagem abaixo mostra a variação do pH em função da hora do dia em um lago de aquicultura rico em fitoplâncton. Veja como o pH aumenta muito na hora de sol , momento de maior taxa de fotossíntese, e reduz gradualmente quando não há luz. Repare como a alcalinidade reduz essa variação de pH.

Fonte: http://www.panoramadaaquicultura.com.br/paginas/Revistas/46/qualidade46.asp

Os dois pontos mais importantes sobre o que é preciso saber e fazer sobre pH nos aquários são: Evitar variações bruscas de pH e manter o pH o mais estável possível.

 

Tenha cuidado com variações bruscas de pH! A maioria dos métodos de alteração e controle do pH implica em um aumento da salinidade do aquário, o que pode, se feito de maneira intensa e repentina, causa um terrível choque osmótico.


O choque osmótico é muito perigoso e já escrevemos um texto sobre isso que pose ser lido clicando aqui!


Para manter o pH estável é preciso considerar a reserva alcalina e o efeito tampão, assuntos dos próximos tópicos.


Reserva Alcalina ou Alcalinidade


A alcalinidade ou a reserva alcalina é a medida nível de elementos dissolvidos na água capazes de neutralizar ácidos. A alcalinidade é dada pela soma dos íons de carbonatos, bicarbonatos, sulfatos, boratos, fosfatos, amônia (nos aquários devemos desconsiderar a amônia, o objetivo é sempre tê-la o mais próximo de zero possível! e bases conjugadas de ácidos orgânicos (vamos falar dessas bases conjugadas mais à frente nesse texto!) presentes na água.


Assim sendo, quanto maior a alcalinidade, maior o pH da água já que a alcalinidade tende a neutralizar o H+ presente na água.


Aumentar a alcalinidade do aquário sempre vai elevar a salinidade e possivelmente a dureza da água. É preciso ficar muito atento a isso.


Já falamos sobre a reserva alcalina no texto sobre o pH, reserva alcalina e dureza da água, então não vamos nos ater aqui a muito detalhes sobre esse assunto. O link do primeiro se encontra no começo do texto e o link dos outros textos podem ser lidos nos links abaixo:


Clique aqui e leia sobre a importância do teste da reserva alcalina!

Clique aqui e leia sobre a importância do teste de dureza geral!


Tamponamento de aquários


O efeito tampão ou tamponamento, buffer em inglês, do aquário é a capacidade de reduzir ou inibir a variação do pH quando há um aumento do H+ ou do OH-.


Muita gente confunde a alcalinidade com o efeito tampão, mas, embora sejam parecidos, muitas vezes não são sinônimos. Diferente da reserva alcalina, o tamponamento minimiza a variação do pH para cima ou para baixo.


O sistema de tamponamento envolve um ácido fraco e sua base conjugada ou uma base fraca e seu ácido conjugado. Uma base conjugada ou ácido conjugado não tem poder de alterar o pH diretamente e é geralmente adicionada na forma de sais.


Uma base conjugada é o íon do ácido que recebeu elétrons durante a hidrólise e o ácido conjugado é o íon da base que perdeu um elétron na hidrólise.


Não vamos dar muitos detalhes à termos químicos envolvidos para não confundir a cabeça dos leitores sobre uma base conjugada ou ácido conjugado, então vamos dar alguns exemplos que podem ser vistos na imagem abaixo e facilitar o entendimento.

O ponto crucial para se entender o funcionamento do efeito tampão nos aquários é principalmente na ácido ou base fraca e sua relação com seu par conjugado.  


Lá da química, um ácido ou base fraca é aquele composto que não se ioniza em grande parte na solução aquosa. Isso quer dizer que parte do ácido ou da base se ioniza, possivelmente alterando o pH, e outra parte fica lá sem sofrer essa reação.


Para ficar mais fácil de compreender essas palavras, a imagem abaixo mostra visivelmente isso, onde ácido fraco quando misturado em água não se “dissolveu” completamente. Perceba que ele fica na reserva para hidrolisar assim que possível


Um efeito curioso é que adicionando a base conjugada de um ácido na água, você reduz a capacidade de hidrólise desse ácido, reduzindo a queda do pH, porém aumentando a capacidade de tamponamento.


Um a base conjugada de um ácido não necessariamente serve como base conjugada de um outro ácido diferente para manter o efeito tampão no pH desejado, é preciso estar presente o respectivo par conjugado.


Pronto, com um ácido fraco e sua base conjugada na água, temos uma água tamponada. Agora, vamos entender como isso serve para manter o pH bem estável sem muitas variações.


Quando você adiciona um ácido que iria fazer o pH abaixar numa solução tamponada acontece uma reação interessante, muito interessante. O H+ do ácido reage com a base conjugada se transformando no nosso ácido fraco neutralizando a possível queda do pH. Como a base conjugada livre na água impede a hidrólise desse ácido, o pH é mantido bem próximo de antes.


A imagem abaixo representa essa ideia de neutralização do ácido. O HCL adicionado é neutralizado pela base conjugada (A-) se transformando no nosso ácido fraco não ionizado.

Quando você adiciona uma base que iria fazer o pH subir numa solução tamponada acontece uma reação de neutralização semelhante a explicada acima. O OH- da base reage agora com o ácido fraco não ionizado neutralizando a elevação do pH. 

A imagem abaixo mostra essa parte das bases sendo neutralizadas.

Créditos das imagens da explicação do tampão: http://chemcollective.org/activities/tutorials/buffers/buffers3

Quando os pares conjugados acabam devido a essas reações diversas, o efeito tampão também acaba e o pH começa a variar.


Bom, seria muito bom se fosse simples assim, mas existem muitas variáveis que fazem esses balanceamentos químicos instáveis, o que permite uma leve variação do pH.


Se vocês notaram bem as imagens apresentadas, todos os balanços químicos possuem setas em ambos os sentidos, indicando que as reações acontecem em ambos os sentidos e que um sentido pode influenciar devido a vários fatores físicos e químicos, inclusive a concentração adequada do par conjugado.


Uma das reações de tamponamentos mais comuns do mundo e nos aquários é o do gás carbônico (CO2) e do bicarbonato (HCO3) e ela explica porque quando colocamos bicarbonato de sódio no aquário o pH sobe rapidamente, mas volta a cair em algumas horas ou no outro dia.


Muita gente não sabe, mas o CO2 se transforma naturalmente em bicarbonato e vice-versa!


A imagem abaixo mostra o ciclo do gás carbônico e do bicarbonato. O CO2 primeiro se transforma em ácido carbônico (H2CO3), um ácido fraco, e esse se transforma em bicarbonato. Veja as setas nos dois sentidos, isso mostra que a reação é reversível!

O ácido carbônico e o bicarbonato sempre tendem a encontrar um equilíbrio entre si de acordo com as condições de temperatura, pressão atmosférica e químicas.


Se você aumenta a quantidade de ácido carbônico do aquário ou reduz a quantidade de bicarbonatos, você tende a fazer com que mais desse ácido se transforme em bicarbonato para equilibrar a equação.


Se você aumenta a quantidade de bicarbonato do aquário, você faz com que o bicarbonato se transforme em CO2 e seja liberado pela atmosfera para equilibrar a equação. É por esse fato que o bicarbonato não é um bom tamponador para aquários.


Também é preciso dizer que essa transformação de bicarbonato em gás carbônico é lenta, bem mais lenta que a transformação de gás carbônico em ácido carbônico.


Uma coisa muito importante mencionar que cada solução tampão possui uma faixa de pH associada a ela. Essa capacidade está diretamente ligada à capacidade de hidrólise do ácido ou base fraca utilizada e sua relação de equilíbrio. Uns podem ter uma vasta faixa, outros uma curta faixa.


Um tamponador para pH 6.0, por exemplo, pode ser diferente do tamponador para o pH 6.5 ou dois tamponadores para o mesmo pH podem ser muito diferentes entre si, por exemplo, ou simplesmente variar a concentração do par conjugado. A princípio pode parecer que é só a concentração do tamponador que muda, mas o fato é que está relacionado com o equilíbrio químico do par conjugado utilizado.


Já entendemos o que é a reserva alcalina e o efeito tampão, agora vamos ás formas de corrigir e manter o pH dos aquários adequados.


Abaixando e mantendo o pH do aquário


Como dissemos, dificilmente o pH do aquário vai aumentar se não houver algum alcalinizante presente, porém muitas pessoas, após as TPAs, precisam abaixar o pH e que muitas vezes é difícil devido à alta alcalinidade e capacidade de tamponamento da água da rua.


Para mais detalhes sobre as TPAs, clique aqui e leia nosso texto sobre isso e veja que existem muitas coisas envolvidas nesse processo rotineiro!


Abaixo seguem algumas considerações importantes sobre métodos de baixar o pH no seu aquário.


É praticamente impossível medir a quantidade de acidificante a usar em um determinado aquário, depende de muitos fatores desconhecidos e de cálculos complexos. O mais certo a se fazer é dosar um pouco e analisar a variação e repetir até chegar no pH adequado.


Usando CO2 para abaixar o pH do aquário


O CO2 em contato com a água produz ácido carbônico como nós dissemos o que reduz o pH. O CO2 é amplamente usado em aquários plantados para fornecer carbono às plantas (não vamos falar dessa parte nesse texto) e ainda a controlar o pH.


Nesse caso de uso específico apenas para baixar o pH, o CO2 pode ser usado daquelas garrafadas caseiras de fermento e açúcar ou dos cilindros usados em plantados.


Adquirir um cilindro de CO2 apenas para baixar o pH fica muito caro e inviável.


O CO2 de garrafada pode ser bem útil, embora sua produção seja instável.


Utilizando CO2 constantemente você acaba por criar um efeito de tamponamento com bicarbonato de sódio.


A concentração de CO2 a ser mantida depende muito da capacidade de tamponamento do sistema, então cabe ao aquarista encontrar a concentração necessária, seja por um contador de bolhas ou por medidores de CO2 comumente vendidos para aquário.


As concentrações de CO2 que vão manter o pH depende muito da reserva alcalina e da composição desta sendo praticamente uma diferente da outra.


Caso precise apenas abaixar o pH para tamponar, um método simples é o uso de água mineral com gás. A água mineral com gás possui muito gás carbônico dissolvido e um ótimo poder de abaixar o pH dos aquários.


Nós usávamos muito isso quando precisávamos tamponar o aquário de discos selvagens.


Troncos, turfas e outros materiais de origem vegetal para abaixar o pH


Seja tronco, turfa, fibra de coco, folha de amendoeira ou outro material vegetal, eles acidificam a água devido aos ácidos orgânicos presentes neles e nos ácidos provenientes da sua decomposição.


É muito comum a indicação de troncos para acidificar o aquário, mas a questão é que o tronco maciço, apenas celulose, não tem poder de acidificar o aquário, o que faz ele acidificar são os ácidos orgânicos presentes dentro das células da celulose do tronco.


O tronco devidamente tratado não possui poder acidificante pois tudo que não é celulose foi perdida.


Os troncos não tratados totalmente ainda possuem compostos orgânicos diversos que tem poder de acidificar a água, como também de deixar a água colorida, a famosa cor de chá.

Quando  o material vegetal perde seu material orgânico, ele perde sua capacidade de acidificar o aquário.


A decomposição da celulose dos troncos maciços (o cerne da madeira) é lenta, muito lenta e praticamente imperceptível no aquário. Muitos aquarista possuem troncos por anos em seus aquários e reparam apenas pequenos sinais de deterioração.


A imagem abaixo representa o esquema de um tronco de árvore, perceba que ele é composto basicamente pelo cerne (parte escura), xilema (parte um pouco menos escura) do floema (parte clara), da casca (fina parte externa). Os galhos possuem pouco cerne e por isso se decompõem muito mais rápido que o cerne.

  • O floema é a parte viva do tronco que transporta a seiva elaborada por toda a árvore.

  • A casca é a parte que protege a planta.

  • O cerne é a parte morta da planta que tem basicamente função de sustentação.

  • O xilema é a parte responsável por transportar seiva bruta.


A casca e o floema são de decomposição muito fácil, motivo pelo qual é comum o surgimento de uma grande quantidade de fungos em galhos e troncos com casca colocados nos aquários, mas também são as partes com maior poder de acidificação.


Se não quiser ter problemas com surgimento de fungos no aquário e nem com o amarelamento da água, use apenas o cerne da madeira devidamente seco e tratado.


Cada tronco, folha de amendoeira, fibra de coco e afins possuem composições orgânicas diferentes entre si, mesmo comparando as mesmas espécies logo, não há nenhuma fórmula de quantidade de cada uma a utilizar. Cabe mais uma vez ao aquarista ver o quanto ele precisa colocar para controlar o pH baixo.


Um ponto importante sobre esse assunto é o fato do aumento dos compostos orgânicos na água, principalmente taninos, que possuem capacidade antimicrobiana que ajudam a evitar doenças em peixes, mas que, em excesso podem prejudicar plantas, animais e as bactérias do sistema de filtragem.


Tudo depende do tipo e quantidade do fenol presente na água.


O uso do carvão ativado de qualidade e em boa quantidade é muito recomendado quando se usa esse materiais vegetais para reduzir o pH, pois ele possui a capacidade de adsorver esses compostos que tingem a água, porém são os mesmos compostos com efeito antimicrobiano.


Leia aqui o nosso texto explicando com detalhes o funcionamento do carvão ativado!


Ácidos diversos para reduzir o pH do aquário


O método mais simples de abaixar o pH é adicionando um elemento ácido ao aquário.

Existem uma infinidade de ácidos orgânicos e inorgânicos que podem ser utilizados como o ácido acético (presente no vinagre), o ácido cítrico (presente nas frutas) e o ácido fosfórico.

Tome muito cuidado com o manuseio de ácidos!


Cada ácido tem uma capacidade de ionização e uma base conjugada que precisa ser levada em conta. O ácido fosfórico, por exemplo, libera fosfato no fim das suas reações de hidrólise, o que pode ser bom ou ruim dependendo do aquário.


Falamos muito sobre a questão do fosfato no nosso texto sobre a Razão de Redfield que pode ser lido clicando aqui!


Tendo o ácido em mãos, basta aplicar as poucos até chegar ao pH desejado. Simples assim.


Os acidificantes sólidos são muito mais concentrados que os líquidos já que não estão diluídos, o que é mais econômico e funcional ao aquarista. É muito comum o uso de uma série de produtos líquidos para aquários não ter o efeito desejado devido à sua baixa concentração de ácidos.


Nessa forma de acidificação do aquário é muito importante o uso de um tamponador adequado para manter o pH desejado o mais estável por mais tempo.


A necessidade de acidificação e de tamponamento varia da rotina de cada aquário e cabe ao aquarista encontrar essa rotina.


Não é recomendado o uso de vinagre para acidificar o aquário, ele é muito ruim para isso e ainda adiciona um monte de compostos orgânicos indesejados, como açúcares e álcool, sendo que ele possui apenas entre 4% e 6% de ácido acético, o que de fato acidifica.


Aumentando o pH do aquário 


Subir o pH do aquário é a rotina mais comum em quase todos os aquário e também é a mais simples devido a dispormos de formas práticas e baratas de aumentar o pH.


Aragonita, calcita e dolomita (formas naturais de carbonatos)


O uso de carbonato de cálcio na forma aragonita, dolomita ou calcita, seja oriundos de forma mineral ou orgânica (conchas são formas de carbonato de cálcio), é talvez o método mais comum de elevar o pH e manter a reserva alcalina em níveis adequados.


Já falamos sobre o uso de aragonita, dolomita e calcita em aquário num texto detalhado sobre eles que pode ser lido clicando aqui!


A aragonita, dolomita e calcita vão sendo dissolvidas pela água bem aos poucos e assim aumentando a reserva alcalina e dureza geral (através do cálcio e magnésio) e à medida que essa reserva alcalina vai sendo consumida, mais aragonita, dolomita ou calcita vão sendo dissolvidas.


Como dissemos no nosso texto sobre aragonita e dolomita, ao recomendamos o uso da dolomita pois ela aumenta muito a dureza permanente da água e se dissolve mais, criando um limo branco.


Esses materiais, dependendo da quantidade e da forma que são usados (se colocado dentro do filtro, num reator, no aquário, etc) , podem manter o pH em pelo menos 7,2 e podendo chegar a mais de 8,2.


Nos aquários marinhos é muito comum o uso de um reator de cálcio, onde gás carbônico é misturado à aragonita e dolomita para subir a reserva alcalina do aquário. Esse método requer atenção e um sistema de CO2 e medição de pH devidamente regulados.


A forma mais simples de usar essas formas de carbonato de cálcio é colocando um pouco no filtro. Coloque uma quantidade dentro de um saquinho de tela amarrado para facilitar a reposição, acréscimo ou retirada de material. Quanto mais material, maior será o aumento da reserva alcalina.


A aragonita ainda possui muitos microelementos e sua composição que é altamente benéfico aos aquários.


No caso de lagos ornamentais é possível o uso de um reator de aragonita que consiste num filtro de acrílico colocado na entrada ou saída do filtro. Conseguimos manter o pH de lagos em 7,5 constantemente com o uso desse tipo de reator.


A foto abaixo é de um reator de aragonita que fabricamos para um lago de 9000 litros e mantém o lago com o pH constantemente em 7,2. Quando a aragonita acaba, basta acrescentar.

A calcita possui uma capacidade de se dissolver menor que a aragonita, logo é recomendado para aquários ou lagos que precisem de pH próximo a 7,2.


Usando carbonato de cálcio constantemente assim não precisa de um tamponador já que o carbonato de cálcio satura quando atinge sua solubilidade máxima e à medida que ele vai sendo consumido, mais material vai sendo dissolvido.


Mármore, basalto e outras pedras ornamentais


Muitas pedras ornamentais do nosso dia a dia possuem carbonatos em sua composição, o que significa que elas possuem o poder de alcalinizar a água.


Entre as pedras ornamentais com a presença de carbonatos mais comuns podemos citar o mármore, o basalto e a pedra sabão.


O mármore é uma pedra calcária que também tem poder de alcalinizar a água com a vantagem que muitas são muito bonitas. Uma ornamentação usando pedras de mármore como enfeites podem manter o pH no nível desejado.


A imagem abaixo mostra um aquário simples com enfeites e substrato de mármore que ajudaram a manter o pH alcalino.

O basalto possui uma pequena quantidade de carbonatos que em muitos relatos mantém o aquário com pH próximo a 7,2. É preciso lembrar que existem vários tipos de basaltos e muitos não possuem carbonatos e outros possuem bastante.


Diferente do mármore, o poder alcalinizante do basalto acaba com o tempo já que o basalto é grandemente formado por sílica, que não se dissolve.


A pedra sabão muito comum na região de Ouro Preto – MG, possui em sua composição uma considerável parte de magnesita, uma forma de calcário e também ajuda a manter o pH do aquário alcalino.


O uso dessas pedras dependem muito da questão de gosto e disponibilidade de serem comprados pelo aquarista. Existem muitas outras pedras que podem ser usadas para esse fim.


Quando se usa uma pedra ornamental dessa, o uso de tamponador é opcional.


Cal virgem e cal hidratada


O uso de cal é mais comum em lagos (principalmente os de criação de peixes de corte e ornamentais muito grandes) do que em aquários.


A cal virgem é o óxido de cálcio (CaO), composto altamente alcalinizante, porém é cáustico, podendo casar ferimentos sérios se manuseado de forma errada, logo não deve ser usada, está aqui apenas a título de conhecimento.


No lugar da cal virgem, o que é mais seguro de ser utilizado é a cal hidratada, produto da mistura da cal virgem com água. A cal hidratada é o hidróxido de cálcio [Ca(OH)2], também conhecida como Kalkwasser, que é altamente alcalinizante, porém de baixa capacidade de ser dissolvida pela água.


Muitos aquaristas marinhos não sabem, mas o Kalwasser para aquário que eles compram importado e caro é a mesma cal hidratada que temos aqui, só muda e o nome e o preço(esse muda bastante!)


O maior problema de se usar a cal hidrata comprada em material de construção são as impurezas presentes. Como a cal que compramos em material de construção é para construção, é cheia de silicatos, fosfatos, sulfatos e outros compostos indesejados ao aquário.


Tem gente que usa, mas nós NÃO RECOMENDAMOS o uso de cal hidratada de material de construção para subir o pH do aquário. Use hidróxido de cálcio PA, muito barato nas lojas de química, mas ainda tem a questão de dissolver na água.


Uma utilidade do hidróxido de cálcio no aquário marinho é o de matar aiptasias. Basta uma seringa ou pipeta com água com kalkwasser e jogar em cima delas. Mata na hora.


Bicarbonato de sódio


O bicarbonato de sódio é o meio mais comum de aumentar o pH nos aquários, porém não tem um efeito tampão em aquários com pH menores que 8,3 (na média) devido ao equilíbrio entre ele e o ácido carbônico que tanto falamos no começo do texto.


A imagem abaixo mostra esse equilíbrio entre gás carbônico (CO2), bicarbonato (HCO3) e carbonato (CO3) em função do pH. Em aquários de ciclídeos africanos com pH acima de 8,2 e nos aquários marinhos com pH elevado, o bicarbonato ainda não serve como tamponador, pois não previne o aumento do pH, mas evita que o pH caia devido a não ser mais transformado em ácido carbônico.

É claramente possível usar o bicarbonato para subir o pH e um tamponador adequado para manter o pH estável.


Tanto nos aquários marinhos ou salobros quanto nos aquários de pH elevado, os melhores tamponadores são à base de boratos.


Conclusões


Explicamos nesse texto o que é o pH e como funciona a reserva alcalina e o efeito de tamponamento. Também mostramos várias formas de aumentar, reduzir e controlar o pH do aquário sem maiores problemas.


É muito importante manter o pH do aquário controlado para evitar que o peixe fique estressado, uma ameaça invisível que pode levar até a morte.


Para mais detalhes sobre o efeito do estresse nos peixes leia nosso texto sobre isso clicando aqui!


Manter o aquário tamponado não é complicado quando se usa os produtos certos, o que ajuda muito a manter uma excelente qualidade de água.


Recomendamos sempre que use produto de alta qualidade nas dosagens recomendadas pelo fabricante para evitar adicionar impurezas aos aquários, essas podem causar uma série de problemas, e também evitar um choque osmótico.


Variar o pH e estabilizá-lo ao longo de uns poucos dias é muito menos sentido pelos peixes do que uma variação brusca. Variar  o pH em cerca de até 0,5 por dia até o  ponto desejado é bem melhor do que variar tudo de uma vez, principalmente se a diferença entre o pH atual e o desejado é maior que 1.

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