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Mídias que as empresas não querem que você conheça: Bucha vegetal

Provavelmente um dos assuntos mais debatidos pelos aquaristas é sobre quais mídias são melhores ou piores que as outras e as empresas do ramo sabem muito bem disso. A cada ano praticamente vemos lançamentos e relançamento de mídias “melhores” que as outras por diversos motivos diferentes (e preços também). Mas será que precisamos mesmo delas?


Venho trazer para vocês hoje a informação de uma mídia comum, barata, e com eficiência comprovada cientificamente: a bucha vegetal.

Originária da Ásia e prima dos pepinos, a bucha vegetal é o fruto seco das plantas do gênero luffa. Os frutos dessas plantas podem chegar a mais de um metro de comprimento e também são usados como alimento quando está verde e pequeno.


Acredito que todo mundo já tenha tomado banho com uma bucha vegetal, mas o que pouca gente sabe é que ela já é usada há muito para a fixação de micro-organismos em diversos processos de fermentação e produção de álcool ou bebidas e também para tratamento de águas residuais (remoção de amônia, nitrito, nitrato, carbono orgânico, metais pesados e outros compostos).

Bucha vegetal secando no próprio pé

Características da bucha vegetal


Superfície específica: A média da superfície específica entre 0,8 e 1 metro quadrado por litro o que é superior à maioria das mídias plásticas usadas nos aquários, aquicultura e tratamento de esgotos. Se for comparar a superfície efetiva, tem quantidade bem próxima a qualquer mídia do mercado.


Capacidade de adesão: A estrutura química e física da bucha vegetal promove uma melhor fixação das bactérias em sua superfície.


Hidrodinâmica: Devido aos espaços vazios de suas fibras a água se move com muita facilidade por entre a bucha vegetal permitindo um fluxo mais intenso e uma perda de vazão menor. Isso é essencial para a filtragem e não é encontrado em quase nenhuma mídia comercial.


Composição química: A composição da bucha vegetal é praticamente celulose, a mesma composição dos troncos das árvores. A celulose é um polissacarídeo que não se dissolve em água e de difícil decomposição. São poucas bactérias que possuem a capacidade de metabolizar a celulose.

Esquema das fibras e da colonização da bucha vegetal

Vantagens da bucha vegetal


Preço: Se for comprar a bucha vegetal no mercadinho da esquina não vai pagar mais de 5 reais numa bucha inteira, mas se for comprar em lojas de artigo de beleza vai pagar uma pequena fortuna.


Uso em filtros pequenos: é uma das melhores mídias para filtros com vazão pequena (menor que 1000l/h) devido a não oferecer resistência à passagem de água e ser moldável. Você consegue cortar ela para ajeitar da melhor forma nos filtros pequenos, principalmente os hang on, aproveitando o pouco espaço disponível.


Filtragem física: As fibras da bucha vegetal fazem uma excelente filtragem mecânica de partículas de tamanho visível e entope muito pouco.


Desvantagens


Decomposição: A bucha vegetal, mesmo sendo de celulose, se decompõe aos poucos e vai perdendo sua resistência mecânica e então amolece. Quanto mais ela amolece, mais resistência à passagem de água ela faz e entope com maior facilidade.


Em filtros com vazão alto, acima de 2000l/h, a pressão da bomba comprime a bucha vegetal e faz com que ela também bloqueia a passagem de água, não sendo então indicadas para filtros de grande porte.


Devido a esses fatores, é necessária a troca a cada 6 meses em média. A velocidade de decomposição depende das características físico-químicas da água e da atividade microbiológica do filtro.


Acesso nas cidades grandes: Em cidades grandes pode ser difícil achar a bucha vegetal a preço acessível. Nas cidades comuns é um item comum em todos os mercados.

 

Experiências próprias:


Nós da Aquários Sobrinho temos experimentado o uso de bucha vegetal em filtros pequenos há 4 meses com excelentes resultados. A água não ficou amarela devido a qualquer composto, não houve redução significativa e não vimos diferença no uso dela em fatias, rodelas ou grandes pedaços.


Observação importante: Não se deve usar a buchinha-do-norte(luffa operculata) pois ela é tóxica! A buchinha-do-norte ou buchinha paulista é uma bucha pequena com menos de 10cm de comprimento que é usada na medicina popular como abortivo ou no álcool para problemas respiratório. Tome cuidado para evitar problemas, a bucha vegetal usada em banho é grande, bem maior que a buchinha paulista.


Algumas referências científicas do uso de bucha vegetal:


Agra, C. A. TRATAMENTO DE ÁGUAS RESIDUÁRIAS DOMÉSTICAS EM REATORES DE BIOMASSA DISPERSA E BIOMASSA ADERID. Dissertação, Universidade federal da Paraíba, Campina Grande, Paraíba, 2009.

Laidani, Y., Hanini, S., Mortha, G., & Heninia, G. (2012). Study of a fibrous annual plant, Luffa cylindrica for paper application part I: characterization of the vegetal.

Laidani, Ykhlef, Salah Hanini, and Ghania Henini. "Use of fiber luffa cylindrica for waters traitement charged in copper. Study of the possibility of its regeneration by desorption chemical." Energy Procedia 6 (2011): 381-388.

 Rubí SA, Campocosio AT, Horcasitas MDCM, Vera LQ, García FE, et al. (2016) Production of A Halotolerant Biofilm from Green Coffee Beans Immobilized on Loofah Fiber (Luffa cylindrica) And Its Effect on Phenanthrene Degradation in Seawater. J Pet Environ Biotechnol 7: 304. doi: 10.4172/2157-7463.1000304

de Sousa, José Tavares, et al. "Nitrification in a submerged attached growth bioreactor using Luffa cylindrica as solid substrate." African Journal of Biotechnology 7.15 (2008).

Oboh, Innocent O., Emmanuel O. Aluyor, and Thomas OK Audu. "Mathematical and ANN Models of the Effect of Dosage on Cu^(2+) Sorption Capacity of Luffa Cylindrica." Solids and Structures 2.2 (2013): 23-30.

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