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Aumento da temperatura nos aquários - Parte 1: Introdução

A alta temperatura nos aquários é um problema que muitas vezes passa de maneira despercebida, mas sem deixar de causar grandes problemas. Aumento de algas, incidência de doenças, agressividade e até mesmo morte repentina são problemas causados pelo calor que muitas às vezes são atribuídos a outras causas com excesso de contaminantes.

A temperatura é um dos parâmetros mais importantes para se controlar em um aquário pois ele está relacionado com o metabolismo dos peixes, oxigênio dissolvido e crescimento das bactérias e outros microrganismos.


Nessa primeira parte vamos definir alguns conceitos importantes para começar a entender todo o artigo.


Temperatura máxima e temperatura mínima nos aquários


A maioria dos aquaristas já recebeu alguma informação sobre a temperatura em que seus peixes devem ser mantidos. Algumas vezes as informações são vagas como “os acarás bandeira são peixes de água quente” ou como “os kinguios são peixes de água fria”. Outros já receberam informações mais definidas como “esse cascudo deve ser mantido preferencialmente em 25°C”.


Todas essas informações acabam se resumindo no ponto em que os peixes possuem uma faixa de temperatura onde melhor se desenvolvem. Essa faixa é limitada por uma temperatura máxima onde começam a aparecer os problemas devido ao aquecimento da água e uma temperatura mínima onde os problemas começam a aparecer com o resfriamento da água do aquário.


Como essa temperatura máxima e mínima dos peixes de aquário são definidas?


Existem alguns métodos de laboratório e métodos baseados na experiência e na observação (método empírico) na determinação da temperatura máxima e mínima dos peixes.


No aquarismo a maioria das informações que se tem sobre temperatura adequada da água dos aquários são dadas pelo método empírico. Na criação dos peixes ornamentais ao longo do tempo, cada criador ou o aquarista, na famosa tentativa e erro, vai ajeitando de forma que o conhecimento de cada espécie vai se acertando.


Já os métodos de laboratórios são mais precisos e detalhados, mas exigem uma mão de obra maior e também uma maior disponibilidade de equipamentos que quase ninguém tem em casa ou na sua criação.


Entre os métodos de laboratório existem dois métodos que são mais usados: o método estático e o método dinâmico.


No método estático vários aquários de testes são montados e cada um é mantido em temperaturas específica diferentes, mas constantes. Por exemplo: aquário 1 está com temperatura estável em 20°C, o aquário 2 está com temperatura em 21°C, ...aquário 11 está com temperatura em 30°C e por aí vai até onde o pesquisador achar necessário.


A maior temperatura que apresentar 50% de morte dos peixes é considerada a temperatura máxima e a menor temperatura que apresentar 50% de morte é considerada a temperatura mínima.


Já no método dinâmico os peixes são mantidos em um aquário onde a temperatura é aumentada (ou reduzida) até que seja notada efeitos nocivos como morte, perda de equilíbrio, menor reação ao estímulo, etc.


ATENÇÃO: No aquarismo não queremos morte de nenhum dos nossos peixes por isso temos que deixar uma margem de segurança considerável entre as temperaturas máximas e mínimas dos aquários!

Um grande problema do método dinâmico é que a taxa de aquecimento e resfriamento é fator importante. Se for um aquecimento muito rápido, pode dar choque térmico ou o peixe demorar a atingir a temperatura da água. Se for muito lento, o peixe pode aclimatar.

De toda forma o método dinâmico é o que mais se aproxima do que acontece na natureza [13].


Qualquer um dos três métodos apresentados pode nos dar informações úteis das temperaturas adequadas para os peixes dos nossos aquários.


Sempre quando buscarmos uma referência de temperatura devemos ficar atento sobre a sua metodologia. Se a temperatura máxima ou mínima foi a que causou mortes ou a que começou a causar problemas ou a que os problemas se mantiveram contantes por dado período de tempo. Toda temperatura máxima causa problemas á saúde do peixe como vamos mostrar nas outras partes desse artigo.


Lembre-se que os sintomas visíveis são apenas manifestações de problemas invisíveis que chegaram em níveis muito altos. Mesmo sem aparecer sintomas, os problemas já podem estar acontecendo e isso pode prejudicar o peixe no longo prazo.


A temperatura da água adequada ou ideal para os peixes de aquário


A temperatura adequada para os peixes de aquário está relacionada com a temperatura onde as funções metabólicas de peixe acontecem de maneira correta, ou seja, que garanta seu pleno funcionamento. Quando a temperatura do aquário está inadequada as funções metabólicas ficam prejudicadas e causam problema aos peixes.


Pra reforçar a ideia é preciso, mais uma vez, lembrar que cada espécie de peixe possui sua faixa de temperatura adequada. Não só cada espécie, mas dentro de uma mesma espécie as variedades genéticas podem apresentar necessidades diferentes em função da idade, genes, época do ano, doenças, comida disponível, qualidade da água e até mesmo intensidade da luz e competição entre os peixes [1][3][11].


De acordo com a genética de cada peixe, ele pode estar ou não adaptado a certas temperaturas. Isso quer dizer que duas acarás bandeiras diferentes podem apresentar faixas de temperatura máximas e mínimas um tanto distintas.


Um dos fatores muito importantes a isso e referentes à genética do peixe são sobre as “proteínas do choque térmico” (falaremos delas mais adiante) que agem no organismo do peixe evitando ou reduzindo os efeitos nocivos da água quente do aquário. Cada espécie produz essas proteínas de acordo com sua genética ao longo do tempo e transmite aos seus descendentes em diversos graus.


Informação: Essa variação de adaptação a alta temperatura não se limita apenas diretamente à ela, mas também a outros parâmetros. O correto funcionamento dos órgãos, resistência a certos contaminantes e até mesmo resistência a doenças são fatores que estão indiretamente relacionados com o aumento da temperatura e contribuem para a sobrevivência do peixe.


Por isso que cada espécie se adéqua a uma faixa e não a um valor específico apenas.

Para fins práticos:

A temperatura adequada (ou temperatura ideal) para os peixes é aquela que está na média entre as temperaturas máximas e mínimas. Como há um intervalo considerável entre elas, é importante que a temperatura ideal tenha uma margem para possíveis aquecimentos ou resfriamentos da água e não atinja uma temperatura crítica causando danos ao peixe.

Mesmo que a temperatura da água esteja apenas próxima dessas temperaturas críticas, problemas assintomáticos podem surgir e causar danos no longo prazo.


Para um exemplo, No artigo[1], os pesquisadores calcularam a preferência de acarás bandeiras em função da temperatura. Eles colocaram um aquário de 3 metros de comprimento com um aquecedor em uma ponta de forma que a água possuía temperatura que ia variando progressivamente de 11°C a 38°C. Peixes Juvenis de acará bandeira tiveram preferência de temperatura de água diferente da temperatura de peixes adultos e os adultos estavam condicionados à temperatura que estavam mantidos anteriormente.


No artigo [1] a faixa de temperatura preferida das acarás bandeiras foi de 26.7–29.2 °C para as juvenis e de 28.4–31.2°C para os adultos.


No artigo [1] CTMax é a temperatura máxima até onde não aparecem problemas físicos causados pelo estresse térmico.


Como a temperatura da água aumenta na natureza?


A temperatura da água na natureza varia em função do sistema aquático analisado, das condições geográficas e da época do ano. Segundo a artigo [7], as médias das variações da temperatura da água encontradas na natureza são:

  • 1°C por dia em grandes corpos de água;

  • 1 a 2°C por hora em riachos e rios;

  • 4°C ou mais por hora em poças ou alagados isolados.

Os corpos d’água tem pequenas variações de temperatura quando existem muitos afluentes e nascentes. Os corpos isolados que tem poucas trocas de água acabam aquecendo numa proporção mais alta.


O trabalho [14] mostra um estudo feito durante 5 meses na bacia do Rio Negro aqui no Brasil. Nesse estudo eles analisaram os peixes neon cardinal e neon verde, bastante comuns no aquarismo, e suas peculiaridades envolvendo a temperatura da água nas regiões onde vivem. Enquanto os neons verdes vivem em regiões de alagados, muitas vezes temporários, os neons cardinais vivem em regiões de nascente.


Uma curiosidade é que, mesmo sendo peixe parecidos fisicamente, do mesmo gênero, de uma mesma bacia e até do mesmo local eles raramente (pra não dizer nunca), são encontrados juntos na natureza.

A imagem abaixo retiradas desse trabalho [14] mostra a temperatura mínima média e a temperatura máxima média diária em função dos meses atualizados.

Veja que a diferença de temperatura por dia máxima encontrada analisando os meses de setembro até janeiro foi de 4.8°C para neons cardinais (mínima de 25,1°C e máxima de 29.9°C em janeiro) e de 10.6°C para os neons verdes (mínima de 24,6°C e máxima de 35,2°C em outubro). Se colocarmos uma taxa de aquecimento e de resfriamento contantes de 6 horas por dia, as taxas de aquecimento foram de 0,8°C por hora para os neons cardinais e de 1,8°C por hora para os neons verdes.


Os neons verdes são adaptados a regiões rasas com considerável aumento de temperatura enquanto os neons cardinais habitam locais profundos onde a temperatura tende a se manter mais estável. Por isso eles não se misturam, porque seu metabolismo está adaptado melhor a temperaturas distintas.


A temperatura média (média das médias máximas e mínimas à partir do gráfico acima), vamos dizer adequada de criação, dos neons cardinais foi de 27,5°C e a dos neons verde de 29,9°C. Parece uma pequena diferença de temperatura, 2,4°C apenas, mas abaixo mostraremos como 2°C já fazem uma diferença grande.


O artigo [15] traz a tabela abaixo que é muito interessante sobre a mortalidade do neon cardinal em função da temperatura da água. Percebam que como o neon sofre mortes quando a temperatura fica com 21°C ou menos ou fica com 29°C ou mais.

Como mostra a tabela acima, 2,5% de morte com uma temperatura de 29°C e salta para 25% quando a temperatura atinge 31°C, um aumento de apenas 2°C. A temperatura de 29°C facilmente chega em todas as cidades brasileiras no verão.


Se a temperatura já faz isso com um peixe adaptado às regiões mais quentes do Brasil, imagina o que não faz com peixes de regiões mais amenas?


Os artigos [14] e [15] trazem dados de qualidade de água muito interessante para quem cria neons. Vale muito a pena a leitura.


Todas as fontes virão na última parte deste artigo.


Assim terminamos a primeira parte desse nosso artigo sobre o aumento da temperatura dos aquários. Esse artigo completo deve ter mais 3 ou 4 partes complementando as informações. Quisemos trazer nessa primeira parte uma introdução sobre a ideia de temperaturas máximas, mínimas e ideais para os peixes e começar a criar a ideia de as temperaturas máximas e mínimas precisam ser evitadas de toda forma porque é o limite muitas vezes letal de temperatura. A temperatura do aquário deve estar o mais próximo possível das médias e o mais estável também.


Na próxima parte traremos um pouco sobre o que contribui para o aumento da temperatura nos aquários e sobre o efeito da alta temperatura no organismo dos peixes.


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