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Alimentação nos Aquários

Atualizado: 7 de Jan de 2019

A alimentação é um dos processos mais importantes no aquarismo, é através dela que fornecemos a maioria dos nutrientes necessários aos animais, mas é preciso ficar muito atento a isso. Nem toda forma de alimentação é benéfica, existem várias considerações importantes a se fazer e iremos abordar algumas delas nesse nosso texto.


Antes das informações é preciso dizer que há uma diferença muito grande entre se alimentar e se nutrir. Um peixe comer algo não quer dizer que ele vai tirar os nutrientes que ele precisa do que ele comeu. Um exemplo clássico que gostamos de dar é em relação a uma criança comendo chips, ela vai adorar e vai comer muito, mas se ela comer apenas aquilo não vai ser bom para o desenvolvimento e saúde dela, embora ela coma tudo com muito prazer.


Fique ligado em como fornecer a melhor alimentação possível aos seus peixes e na quantidade certa!


Dê pouca ração


Dar ração em excesso aos peixes é a fonte de uma série de problemas que afetam diretamente e indiretamente os nossos amigos aquáticos. Se você alimentar demais, eles não irão digerir a comida direito e esse excesso irá aumentar a quantidade de matéria orgânica e contaminantes de água.


Na grande maioria dos casos, os peixes na natureza comem pequenas porções de comida ao longo do dia todo, eles raramente enchem todo o estômago de comida. Isso vale inclusive para predadores, eles tendem a comer grandes porções de pequenos animais do que apenas um animal grande de uma vez.  


A maioria dos problemas no aquarismo é causado pelo excesso de alimentação.

A principal dificuldade então é descobrir qual a quantidade de alimentação a dar diariamente aos peixes sendo que eles vão comer mais que o necessário de uma vez. O instinto de sobrevivência desses animais faz com que eles comam muito mais que o necessário para poderem estar preparados para uma situação de privação de comida, coisa que não acontece nos aquários.


Nas pisciculturas, os peixes de corte tem uma alimentação após a fase larval varia de 1% a 5% do seu peso bruto por dia dividida em várias vezes, sendo ótimo de 3 a 4 vezes ao dia.

A quantidade também varia de acordo com a idade( peixes mais jovens tendem a comer mais), temperatura da água ( dias quentes mais comida e dias frios menos comidas),espécies dos peixes (peixes de crescimento mais rápido como tilápias comem mais que peixes de crescimento mais lento como carpas) e condições ambientais diversas como superlotação ( onde o estresse atrapalha a digestibilidade e aumenta a necessidade de energia devido à agitação) e qualidade da água, mas quase sempre não passa dos 5% diários.


Nos aquários já não é recomendado ou mesmo possível pesar os peixes pra saber o peso e encontrar a quantidade de ração, além do fato de geralmente ter diversas espécies diferentes num mesmo aquário. Então com calcular a quantidade de ração diária utilizada?


A primeira opção envolve uma longa experiência onde à partir da tentativa e erro o aquarista vai vendo a quantidade mais adequada de alimentação.


A segunda opção, indicada para os iniciantes ou pessoas ainda com pouco experiência é medir pela satisfação. Alimente seus peixes até a total satisfação deles e preste atenção na quantidade de ração usada porque essa será a quantidade total de ração utilizada por dia divida em várias vezes.


Caso o aquarista fique muito fora de casa, não há problemas em alimentar uma vez ao dia, os peixes apenas irão aproveitar menos a comida ingerida e produzir uma quantidade maior de fezes, o que é facilmente contornado por uma boa circulação e filtragem.


Dica da Aquários Sobrinho: Nesses nossos anos de aquarismo percebemos que deixar os peixes uma vez na semana sem comida acaba por ser benéfico aos animais do que alimentar todas os dias.


Hoje, com acesso há uma grande quantidade de estudos científicos mundo a fora vimos a restrição alimentar por certos períodos  pode até aumentar a taxa de crescimento dos peixes!


Se você vai viajar por uns poucos dias não precisa se preocupar com a alimentação dos seus peixes, porque durante um curto período de privação alimentar eles possuem um comportamento compensatório posterior para repor as reservas energéticas gastas nos dias de privação.


Use sempre ração de alta qualidade!


Já dissemos no começo do texto que comer é diferente de se nutrir e , quando o assunto é ração, isso tem relação direta com a qualidade. Rações de alta qualidade são produzidas com matérias primas adequadas e com processos ideias para que os peixes possam absorver os nutrientes.


Se um peixe comer um grão de soja cru, por exemplo, rico em carboidratos, proteínas e gorduras, não irá assimilar quase nada dele porque esses nutrientes estão em formas muito poucos absorvíveis e a proteína é de baixa qualidade. Com processos adequados, como o cozimento e adições de enzimas e aminoácidos, a soja pode apresentar uma maior digestibilidade e maior absorção dos nutrientes.


O processo de fabricação das rações de qualidade é complexo e a matéria prima de qualidade é mais cara, por isso as boas rações são mais caras.


Sobre as matérias primas, nem o mesmo tipo de matéria prima é igual. Se pegarmos por exemplo a farinha de peixe, elas podem ser de diferentes peixes, utilizarem somente os restos da filetação dos frigoríficos ou os peixes inteiros, podem usar peixe estragado recolhido ou peixe fresco, pode usar peixes bem alimentados ou peixes doentes, etc. Tudo isso faz uma farinha de peixe ser diferente de outra farinha de peixe e a boa farinha de peixe ser muito mais cara que a farinha de peixe ruim.


Não é só porque a ração tem proteínas, carboidratos, gorduras e minerais que elas são aproveitadas pelos peixes, a matéria prima utilizada e o processo de fabricação são decisivos nisso tudo.


Use sempre as rações importadas consagradas  de boa qualidade, pois eles possuem um controle de qualidade muito maior do que a existente no Brasil. O interesse em nutrição animal é muito maior no estrangeiro do que aqui e a fiscalização também.


Use alimentos frescos e/ou vivos


Os alimentos frescos e vivos possuem gorduras, vitaminas, carotenóides (responsáveis pela coloração dos peixes e prevenção de uma série de doenças) e outros nutrientes que se oxidam muito rapidamente e não se mantém muito tempo na ração, além de possuir nutrientes em formas mais facilmente absorvíveis.


Você pode usar verduras, vegetais e outros animais para a alimentação de seus peixes para que eles cresçam saudáveis e bonitos!


Rotíferos, dáfnias, tubifex, enquitreias, bloodworm, minhocas e artêmias são ótimos alimentos vivos paras os animais e muitas vezes podem ser achados liofilizados ou congelados. Evite o uso de tenébrios regularmente, eles não são tão indicados como base alimentar.

Uma vantagem dos alimentos vivos é que são ricos em proteínas e gorduras, nutrientes que ajudam muito no crescimento e na reprodução dos peixes. Peixes alimentados com dietas ricas em proteínas (entre 50% e 75% de proteína) produziram muito mais filhotes do que dietas com menos proteínas.


Vale muito a pena a criação de alimento vivo em casa onde se pode manter um controle na qualidade de produção e fornecer uma alimentação muito rica e barata aos seus peixes.


Proteínas e gorduras não são ruins, carboidratos já são outra história...


Diferente do que se pensa, proteínas e gorduras são quase que totalmente aproveitadas como fonte de energia para os peixes, já os carboidratos são pouco aproveitados naturalmente pela grande maioria das espécies.


Os dois únicos problemas de uma dieta rica em proteína é o preço alto de uma ração especial e o aumento da amônia da água. O primeiro ponto pode ser contornado com a produção de alimentos vivos enquanto o segundo ponto pode ser contornado com um sistema de filtragem maior.


As gorduras produzem uma quantidade de calorias 2 vezes maior que as proteínas e até 5 vezes maior que os carboidratos, o que garante uma menor quantidade de ração para garantir a mesma quantidade de calorias, o que ajuda demais na filtragem.


O recomendado é que a ração tenha até máximo 30% de gorduras, o que já é bem difícil de encontrar no mercado, sendo a média entre 5% e 10%.


Para se ter uma ideia, muitos alevinos de peixes e os peixes filtradores se alimentam de microalgas que chegam a ter mais de 60% de gordura!


As gorduras não são muito usadas na ração devido a ele ser "mole" e não deixar a ração formar flocos ou grãos.


Uma forma de complementar a dieta dos peixes com gorduras são os alimentos vivos e frescos.


Quando você alimenta as dáfnias, branchonetas e artêmias com microalgas, elas passam as gorduras boas como carotenos e os famosos omegas para os peixes, o que faz desses alimentos quando bem cuidados melhor que qualquer ração.


Microcrustáceos, como artêmias e branchonetas, possuem a capacidade de, quando vivos, absorver compostos da água em que se encontram. Então, podem ser usados como "veículo" para administrar medicamentos, vitaminas ou suplementos.  Existem no mercado diversos enriquecedores, que são suplementos a serem colocados  na água com esses microcrustáceos, que os absorvem em poucos minutos ou horas.  A principal fornecedora desses enriquecedores é a empresa INVE.

Já os carboidratos não são muito aproveitado pelos peixes, principalmente os carnívoros, fazendo com que as rações de má qualidade ricas em carboidratos sejam muito ruins para a saúde dos peixes.


Existem rações experimentais para carnívoros ricas em carboidratos, porém cheias de enzimas que fazem com que o peixe carnívoro possa metabolizar esse carboidrato sem problemas à sua saúde. As boas rações também possuem enzimas para isso. Essas enzimas encarecem muito o custo de produção de uma ração.


As rações de má qualidade são ricas em carboidratos não digeríveis, o que fazem mal aos peixes, principalmente aos carnívoros.


É preciso deixar claro que existem carboidratos diversos com diferentes graus de digestibilidade e absorção. Os bons carboidratos são processados e na ração você não consegue ver as fibras ou cascas que são removidas. Se você consegue ver fibras e cascas na sua ração, ela não é de boa qualidade.


As boas fibras que são digeríveis pelos peixes também são processadas e não são visíveis. As fibras compreendem uma pequena parte da alimentação dos peixes e não são essenciais, porém são importantes fatores para a extrusão ou peletização da ração.


Não se esqueça das vitaminas!


As vitaminas são responsáveis pela manutenção do funcionamento dos organismos e na prevenção de doenças. Muitas doenças são causadas pela falta de vitaminas.

A hidropisia é uma doença que se manifesta na carência de vitamina A.


A falta de vitamina D faz com que o peixe tenha uma baixa conversão alimentar, crescendo pouco e causando outros problemas.


O maior problema das vitaminas é que a maioria são facilmente oxidadas pelo ar e por enzimas diversas, o que faz com que não durem muito tempo. Esse fato é um ponto decisivo na validade das rações, por isso sempre fique atento.


Uma dica pra quando os peixes estiverem meio "baqueados" é pingar um pouco de Vitagold ou outro complexo vitamínico líquido na ração antes de dar aos peixes. Pingue uma gota de Vitagold em um pouco de água e misture, depois coloque a ração e deixe que ela absorva aquela água e dê para os peixes. Ou, ainda, usar os microcrustáceos para isso, como já foi dito.


Outra opção para quem cria alimentos vivos para os seus peixes é a suplementação das vitaminas para os alimentos vivos, seja na água ou na própria alimentação.


Infelizmente existem poucos estudos sobre peixes ornamentais


Diferente dos outros animais domésticos, apenas recentemente os peixes ornamentais despertaram interesse de estudos mais profundos devido ao avanço e proporção econômica que o aquarismo tomou. Existem muitos trabalhos sobre peixes de corte, mas poucos sobre manejo de peixes ornamentais.


Só de cada espécie de peixe ter hábitos alimentares e necessidades diferentes, já faz com que seja um assunto muito extenso de se estudar, ainda mais pelo fato de cada peixe na natureza não se alimentar de forma ideal.


Esperamos que a cada dia aumente os estudos na área dos peixes ornamentais e que isso melhore significativamente a capacidade de manutenção.


Uma alimentação adequada é um fator essencial para manter o peixe por toda sua longevidade com saúde e bem estar, então não economize nisso e promova a melhor a melhor alimentação possível aos seus peixes.


Textos complementares


Segue abaixo muitos textos interessantes sobre o assunto que corroboram com tudo que dissemos nesse texto e fornecem outras informações, inclusive estudos sobre a parte de ficar um dia sem alimentar. Não se limite apenas a esses textos, existem muitos outros disponíveis na internet para leitura!


Basta clicar que o texto irá abrir! 


Santos, Manoel Messias, et al. "Nível de arraçoamento e frequência alimentar no desempenho de alevinos de tilápia-do-nilo." Boletim do Instituto de Pesca 41.2 (2015): 387-395.

Panorama da Aquicultura, vol 9, Nº53

Abelha, Milza Celi Fedatto, Angelo Antonio Agostinho, and Erivelto Goulart. "Plasticidade trófica em peixes de água doce." Acta Scientiarum. Biological Sciences 23 (2008): 425-434.

SOARES, Emerson Carlos, et al. "Condicionamento alimentar no desempenho zootécnico do tucunaré." Revista Brasileira de Engenharia de Pesca 2.3 (2009): 35-48.

Ituassú, Daniel Rabello, et al. "Desenvolvimento de tambaqui submetido a períodos de privação alimentar." Pesquisa Agropecuária Brasileira 39.12 (2004): 1199-1203.

Isabel Navarro, Joaquim Gutiérrez, Chapter 17 Fasting and starvation, Editor(s): P.W. Hochachka, T.P. Mommsen, In Biochemistry and Molecular Biology of Fishes, Elsevier, Volume 4, 1995, Pages 393-434, ISSN 1873-0140, ISBN 9780444820822, https://doi.org/10.1016/S1873-0140(06)80020-2. (http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1873014006800202)

Restrição alimentar programada na produção de Tilápia (Oreochromis niloticus) em viveiros e em recirculação de água,Giovanni Resende de Oliveira. 

Santos, Elton Lima, et al. "Restrição alimentar no desempenho de machos do peixe beta (Betta splendens)." Comunicata Scientiae 7.1 (2016): 12.

Santos, Daniel Locatelli, et al. "TEMPO DE REMATURAÇÃO EM FÊMEAS DE Betta splendens (REGAN, 1910) SUBMETIDAS ÀS DIETAS COM DIFERENTES NÍVEIS PROTÉICOS." Revista Brasileira de Engenharia de Pesca 4.2 (2009): 73-78.

Palma, Eduardo Henrique da, et al. "Estratégia alimentar com ciclos de restrição e realimentação no desempenho produtivo de juvenis de tilápia do Nilo da linhagem GIFT." Ciência Rural 40.2 (2010).

Considerações sobre o maneio nutricional e alimentar de peixes carnívoros Artigo 191 - Volume 10 - Número 01 – p. 2216 – 2255 – Janeiro-Fevereiro/2013

Santos, Elton Lima, et al. "Desempenho de Betta splendens associados a diferentes frequências alimentares." Revista Científica de Produção Animal16.1 (2014): 10-16.

James, Raja, and Kunchitham Sampath. "Effect of feeding frequency on growth and fecundity in an ornamental fish, Betta splendens (Regan)." Israeli J. Aquacult., Bamidgeh 56 (2004): 138-147.

Revista Eletrônica Nutritime, v 06, nº1, p 817-836 janeiro-fevereiro,2009.

Santos, Felipe Wagner Bandeira. "NUTRIÇÃO DE PEIXES DE ÁGUA DOCE: DEFINIÇÕES, PERSPECTIVAS E AVANÇOS CIENTÍFICOS." Rio de Janeiro, Brasil–2007 (2007).

Alimentação é determinante na cadeia da piscicultura ornamental, Leandro Portz e Welliton Gonçalves de França

Ribeiro, Paula Adriane Perez, et al. "Manejo nutricional e alimentar de peixes de água doce." Departamento de Zootecnia/UFMG, Belo Horizonte (2012).

Araújo, Felipe Guedes. "Enriquecimento de artêmias com ácidos graxos para estudos de suplementação em larvas de peixe." (2007).

Ferreira, Shana Pires, Leonor de Souza-Soares, and Jorge Alberto Vieira Costa. "Revisão: microalgas: uma fonte alternativa na obtenção de ácidos gordos essenciais." Revista de Ciências Agrárias 36.3 (2013): 275-287.

da Costa, Fernanda Tamyres Martins, et al. "" Chlorella" sp. como suplemento alimentar durante a larvicultura de tilápia do Nilo." Revista Brasileira de Saúde e Produção Animal 12.4 (2011).

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