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Troca Parcial de Água

Atualizado: 19 de Jan de 2019

TPA, Fazer ou não fazer toda semana? Eis a questão


A troca parcial de água (TPA) nos aquários é prática mais comum em todos os tipos de aquários, é por ela que retiramos alguns compostos indesejados do nosso aquário e repomos outros compostos desejados que foram consumidos. Mesmo sendo a prática mais comum, existem uma série de dúvidas, mitos e confusões sobre o assunto, principalmente sobre a frequências das trocas parciais.

Observação: nesse texto não iremos abordar a influência da limpeza dos filtros. Você pode facilmente limpar o filtro sem fazer uma troca parcial de água no aquário. Troca parcial de água e limpeza do sistema de filtragem são coisas diferentes.


Utilidade das Trocas Parciais


As TPAs nos aquários são úteis para remoção de contaminantes em excesso que o sistema de filtragem não é capaz de remover, principalmente o nitrato em aquários de água doce, e para reposição de nutrientes diversos como carbonatos, cálcio, magnésio e elementos traços.


As TPAs também podem ser utilizadas em casos emergenciais de picos de amônia e nitrito para a redução desses contaminantes, mas isso não deve acontecer. O sistema de filtragem do aquário deve ser capaz de manter baixos os níveis desses contaminantes sem a necessidade de uma troca de água.


Em aquários com circulação de água deficiente e/ou uso de ração de má qualidade, as trocas de água são úteis para remoção da sujeira que se acumula no aquário, geralmente fezes dos peixes que não são levadas pela água até o sistema de filtragem.


As trocas parciais de água também são úteis para a manutenção de parâmetros químicos importantes como a dureza geral e alcalinidade da água.


Quais os cuidados com as trocas parciais de água?


Essa é a parte que as pessoas mais cometem erros e acabam ocasionando mais problemas do que benefícios aos aquários.


Livre de contaminantes


É crucial que a água adicionada numa troca parcial seja de qualidade adequada ao tipo de aquário e sem nenhum contaminante. Cloro, amônia e silicato são extremamente prejudiciais aos aquários.


Veja mais sobre o cloro e saiba como eliminá-lo da sua água de maneira simples aqui no nosso texto sobre ele!


Veja mais sobre a amônia aqui no nosso texto sobre ela!


O silicato não é tóxico, porém é o principal nutriente das diatomáceas, as algas marrons, que causam um desagradável efeito estético nos aquários.


Choque osmótico


Um dos principais problemas causados pelas trocas de água é o choque osmótico devido a intensa variação de íons na água.


Para mais detalhes sobre o choque osmótico veja aqui o nosso texto sobre ele!


Se você coloca uma água com uma quantidade de íons muito diferente da água do aquário, você está causando uma variação osmótica maléfica a todos os organismos vivos do aquário, mesmo que esteja mudando para uma quantidade ideal de sais.  Isso pode estressar peixes, plantas, invertebrados e atrapalhar no processo da filtragem biológica.


Temperatura


A temperatura é outro fator muito importante a se considerar durante uma troca parcial de água, principalmente na época de frio.


Como a temperatura média dos aquários gira em torno de 24°C, a maioria da água proveniente do sistema de abastecimento urbano possui uma temperatura menor que a água dos aquários, principalmente durante o inverno, o que pode causar um terrível choque térmico.


Uma variação de temperatura de 4°C na água num período de uma hora já é suficiente para deixar os peixes estressados. [1]


Veja o efeito da temperatura nos peixes aqui no nosso texto!


Volume da troca parcial


O fator mais importante que influencia todos os outros pontos abordados até aqui é o volume da troca parcial. Quanto maior o volume da troca parcial, maior poderá ser a variação dos parâmetros apresentados se estes forem muito diferentes.


Um exemplo para entender a matemática envolvida nisso.


Vamos supor que um aquarista com um aquário de 300 litros, de água doce, com os seguintes parâmetros de água:


  • pH: 6,0

  • Dureza geral (GH): 4dH (o equivalente a cerca 72ppm)

  • Dureza de carbonatos (KH): em 3dkH (o equivalente a cerca de 54ppm)

  • Amônia total: 0,5ppm

  • Nitrito: 0,05ppm

  • Nitrato: 5 ppm

  • Temperatura: 28°C

Ele então resolve fazer uma troca parcial de água de 30% porque disseram para ele que o aquário tem que ter troca parcial semanal nessa faixa. A água que ele vai usar é da rua e possui as seguintes características:


  • pH: 7,5

  • Dureza geral (GH): 8dH (o equivalente a cerca 140ppm)

  • Dureza de carbonatos (KH): em 5dkH (o equivalente a cerca de 90ppm)

  • Amônia total: 0ppm

  • Nitrito: 0 ppm

  • Nitrato: 7 ppm

  • Temperatura 15°C

Assim, desconsiderando as perdas e ganhos de calor para o ambiente, o aquário passará a ter os seguintes valores.O pH, devido ás suas complexas relações, não é possível de ser calculados teoricamente com apenas esses dados.


  • pH: entre 6,0 e 7,5

  • Dureza geral (GH): 5,2dH (o equivalente a cerca 93ppm)

  • Dureza de carbonatos (KH): em 3,6dkH (o equivalente a cerca de 64ppm)

  • Amônia total: 0,35ppm

  • Nitrito: 0,035 ppm

  • Nitrato: 5,6 ppm

  • Temperatura :24,1 °C

Nesse exemplo vimos que a temperatura caiu repentinamente 3,9°C, o que é extremamente prejudicial aos organismos vivos do aquário, devido ao choque térmico. A amônia e nitrito diminuíram moderadamente (30% ambas), o nitrato aumentou, a dureza geral e de carbonatos aumentaram moderadamente (12%, 30% e 20% respectivamente). Essa mudança da dureza geral de 30% já provoca um leve choque osmótico nos animais, que pode ocasionar desde um leve estresse até problemas maiores.


Considerando esse exemplo, o aquário estava melhor sem a troca parcial.


Alguns aquaristas mais exigentes ao longo do mundo produzem a sua própria água da troca parcial usando água deionizada e adicionando todos os micronutrientes nela evitando assim qualquer problema. Esse método é muito comum aos aquaristas marinhos produzindo água através de sal marinho sintético.


Assim sendo, é muito melhor realizar trocas parciais menores em intervalos de tempo menores do que uma troca parcial maior num intervalo maior.


Se o aquarista do exemplo fizesse uma troca parcial de apenas 10%, o aquário apresentaria os seguintes valores de água após a primeira TPA:


  • pH: entre 6,0 e 7,5, com forte tendência a estar bem mais próximo de 6,0

  • Dureza geral (GH): 4,4dH (o equivalente a cerca 79ppm)

  • Dureza de carbonatos (KH): em 3,2dkH (o equivalente a cerca de 57ppm)

  • Amônia total: 0,45ppm

  • Nitrito: 0,045 ppm

  • Nitrato: 5,2 ppm

  • Temperatura :26,7°C

As variações da troca parcial de água foram muito menores e oferecem um risco muito menor de choque térmico ou de choque osmótico.


Frequência das trocas parciais


Essa é a parte mais polêmica do assunto. Tem gente que jura de pé junto que tem que fazer toda semana, tem gente que fala que tem que ser de 15 em 15 dias, tem gente que fala que pode ser de mês em mês, mas a questão é que NÃO EXISTE FREQUÊNCIA CERTA PARA AS TROCAS PARCIAIS!


Se o aquário está com todos os parâmetros adequados, a filtragem está adequada, os micronutrientes são fornecidos de alguma maneira NÃO HÁ NENHUMA RAZÃO PARA FAZER UMA TROCA PARCIAL DE ÁGUA!


Nós da Aquários Sobrinho mantivemos um aquário plantado por 14 anos sem nunca ter feito uma troca parcial nele sequer, apenas controlando os parâmetros principais com nossos suplementos e usando substrato fértil de turfa. Ele possuía um filtro superdimensionado para a sua fauna.

O aquário de kinguios da Jose está montado desde setembro e não fizemos nenhuma troca parcial nele até então, apenas completamos a água que evapora e dosamos os suplementos para regular os parâmetros.

O nosso lago está montado desde o começo do ano e também nunca fizemos uma troca parcial sequer, apenas a retro lavagem dos filtros que não corresponde a 5% da água do lago. É importante notar que o lago é superpovoado, mas a filtragem está adequada à esse volume de água e essa quantidade de peixes.

Existem vários outros casos de pessoas que pela falta de tempo não fazem TPA regulares, fazem a cada 2 ou 3 meses e seus aquários estão muito bonitos e saudáveis.


O que interfere na frequência das trocas parciais são os cinco seguintes pontos:


Circulação de água: Se o aquário possui uma boa circulação de água que carrega toda a sujeira para o filtro, ele não precisa de sifonagem. O aquário só precisa ser sifonado quando a circulação é insuficiente e não consegue levar toda a sujeira para os filtros.


Fauna e flora: Um aquário superpovoado produz mais sujeira e tende a gerar um acúmulo dela no substrato. Em aquários plantados, devido à baixa circulação, esse acúmulo é mais comum. Peixes como coridoras e cascudos ajudam a revolver a sujeira dos substratos e os movimentarem de forma que a circulação os carrega até o filtro, mesmo em aquários plantados.


Alimentação: Uma alimentação de boa qualidade reduz em muito a sujeira produzida pelos peixes e uma alimentação de má qualidade gera muita sujeira.


Filtragem: O sistema de filtragem deve ser capaz de reter a sujeira e eliminar os compostos tóxicos como amônia e nitrito completamente do aquário, eliminando a necessidade de uma troca parcial para reduzir esses contaminantes.


Equilíbrio químico: Um aquário onde não há variações constantes de peixes, iluminação e plantas geralmente possuem um consumo regular de compostos químicos diversos.


Com o tempo todo aquarista consegue perceber o padrão de mudança dos parâmetros fazendo os testes necessários, dá para perceber o quanto cai ou sobe o pH do aquário regularmente, de quanto em quanto tempo a dureza cai e de quanto em quanto tempo a filtragem diminui a eficiência e precisa ser limpo. O único ponto onde se requer uma observação dos parâmetros é sobre os elementos traços que não existem testes comerciais para eles.


Nosso aquário marinho está há uns 6 anos consumindo regularmente a mesma quantidade de cálcio, magnésio, tamponador e elementos traços, de forma que nos é possível suprir as necessidades principais do aquário sem precisar de uma troca parcial.

Aquário Marinho da Aquários Sobrinho

Considerando esses 5 pontos e equilibrando eles da maneira correta levando em conta o gosto e disponibilidade de tempo do aquarista, a frequência das trocas parciais pode ser reduzida consideravelmente fazendo as correções necessários por outros meios. Tem gente que gosta de fazer troca parcial, tem gente que detesta. 


O que acontece se eu não fizer trocas parciais?


Isso vai depender da configuração e necessidade do aquário. Se estiver tudo correto com os parâmetros, nada de ruim vai acontecer se não fizer trocas parciais.


Caso o aquário tenha problemas em algum ponto como filtragem e circulação e também não seja dosado corretores de dureza, elementos traços e pH, as trocas parciais são importantes para equilibrar esses pontos.


Sempre faça trocas parciais com água de boa qualidade que vai atender às suas necessidades. Fazer uma TPA com água ruim é pior do que não fazer.


Uma curiosidade que percebemos no nosso aquário marinho é que, mesmo com a água em excelente qualidade, há uma melhora considerável no crescimento dos corais quando fazemos trocas parciais regulares com água do mar, acreditamos que seja pelo fitoplâncton e zooplâncton que adicionamos ao aquário que ajudam em processos diversos. Certa vez deixamos esse mesmo aquário 9 meses sem TPA, apenas com a suplementação de nosso kit de elementos, e não houve nenhuma perda, apenas uma pequena redução no crescimento dos corais.


As TPAs se faziam muito importante décadas atrás quando os sistemas de filtragem não eram tão eficientes e não tínhamos facilidade de acesso aos diversos testes necessários. Hoje em dia é muito mais fácil perceber se precisamos ou não fazer uma troca parcial através dos testes.


Existem muitos compostos que são produzidos nos aquários e não são removidos pela filtragem química e/ou biológica, mas nesses anos todos nunca encontramos sequer algum problema com esses possíveis compostos.


Como reduzir a frequência das trocas parciais


É possível reduzir a frequência das trocas parciais simplesmente dosando os micro e macro nutrientes necessários.


Nós da Aquários Sobrinho desenvolvemos uma série de suplementos para reduzir a frequência das trocas parciais em todos os tipos de aquários, sejam eles doce ou marinho, com todos os micro e macro nutrientes. 

Em aquários de água doce e lagos de pH neutro ou levemente alcalino, é possível controlar pH, dureza geral, dureza de carbonatos e elementos traços com um reator de aragonita, equipamento de simples funcionamento que pode ser ligado e desligado de acordo com a necessidade. O nosso lago de carpas utiliza um reator desse tipo para estabilizar o pH, dureza geral, reserva alcalina e elementos traços.


Caprichar na circulação e superdimensionar na filtragem também reduz em muito a frequência das trocas parciais e limpeza dos filtros.

Reator de aragonita da Aquários Sobrinho 


Para reduzir a quantidade de nitrato dos aquários, pode ser interessante o uso de plantas no aquário, no sump ou mesmo um filtro removível de plantas.


Para mais detalhes sobre filtro de plantas veja aqui no nosso texto!


Assim, tentamos passar com essas informações mais detalhes sobre as trocas parciais de água e apontar que elas nem sempre são necessárias. Se o aquarista monitora a qualidade da água do seu aquário regularmente e suplementa com o necessário, as trocas parciais quase sempre são desnecessárias.


Referências e leitura complementar

[1] http://mortandadedepeixes.cetesb.sp.gov.br/alteracoes-fisicas-e-quimicas/temperatura-da-agua/

[2] https://www.google.com.br/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=13&cad=rja&uact=8&ved=0ahUKEwjw-7uB09LUAhWBQSYKHTlrBgU4ChAWCC0wAg&url=http%3A%2F%2Fwww.editora.ufla.br%2Findex.php%2Fcomponent%2Fphocadownload%2Fcategory%2F56-boletins-de-extensao%3Fdownload%3D1164%3Aboletinsextensao&usg=AFQjCNEnApXK6utjx9uJ7eXEVybZ_nHNyg

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